10 de jan. de 2020

A vacina e o vô memória de elefante

Na Mini-ramp do quintal eu voltava combos flipados, além de grinds extensos e giros na transição. A sessão colaborava todas as manhãs, ao mesmo que tempo que o vô Edwin, ao lado no quintal, cuidava da jardinagem.

-``Meu colega de todas as manhãs, paralelo ao horário, pode me prestar um favor?`` - Vô Edwin pede de modo educado, uma tesoura em um punho e regador no outro, 06:00hrs da rotina.
- ``Só dizer`` - responde Eduardo, tranquilamente.
- ``Me acompanha em uma consulta médica hoje?...``

Ele queria ver a questão da sobrancelha que, sempre no espelho, estava sempre com mais pelos... Compreendido, sem problemas, ''algo que deve ser feito'' pensou Edu, ``vamos lá!`` Concordou e saiu correndo ``Vou lá rapidão pegar a calça de sair!`` Rumo a porta esquerda do guarda roupas ao lado da cama, último quarto.
O vô, enquanto isso, entrou na cozinha e preparou um café de grão moído e pouco açúcar. Na volta do neto, Edwin encontra-se na cadeira sem espuma, afirmando ``Toma lá!`` Oferecendo uma xícara preta de um vulcânico café.
Pós conversa frívolas, Edu pediu licença para arrumar o carro; abriu as janelas e retirou as peças do acento do passageiro. Enquanto o vô esperava com o telefone, o telefone em mãos. Uma buzina surpresa surge nas costas do vô seguindo da exclamação ``Vão bora vô! Tá na hora! O pânico é pra agora!`` chamada que ascende o íntimo corredor do velho ancestral que... Levanta da cadeira.
Seguem pelas avenidas mais calmas, entre trocas de conversas e histórias políticas...

Chegando no posto de saúde, estacionam frente um cartaz imenso ``Tome vacina!``
- ... Não sei como funciona essa coisa das vacinas, vi na televisão que um sujeito perdeu as pernas e os braços por não ter tomado a do tétano! - Relembra Edu frente ao cartaz do postinho.
- Perdeu as pernas e os braços?
- Sim, ele nunca havia tomado a vacina , e quando contaminou, o que era pra ser uma agulhada virou uma amputada...
- Mas é de graça rapaz! - Defende o vô - só vir aqui!

Entraram pela porta da frente, o ambiente estava com muitas cadeiras e vazio; Edu vê uma escadinha flipável de poucos degraus numa porta de canto. O vô segue até a atendente confirmar o horário marcado, enquanto isso o neto senta-se disposto a qualquer infinita espera... ``Senha 5!... Ninguém? Senha 6!... Alguém?...`` Grita uma moça na porta de uma sala com a escrita ``Vacinas``. O skater vai até lá, pergunta qual o procedimento para tomar vacina, a moça branca de cabelos escuros respondeu prontamente que bastava pegar uma senha. Ele vai até o balcão, vazio, recolhe uma senha e volta. Entra na sala, depara-se com a mesma mulher espreguiçando-se, busto elevado, apaixona-se... Entrega a senha e recebe o pedido da carteirinha de vacinação, ``não possuo...`` e ela confere no computador ``nada registado por aqui também... Você vai ter que tomar todas!`` Ela surge com uma cartela cheia de quadrados com nomes: Febre Amarela; Hepatite; Tétano...
Explicou a respeito das datas, o tempo que leva entre uma e outra, deixou tudo anotado e buscou três seringas em uma geladeira nos fundos. Voltou ao rapaz elegante, esterelizou o braço e colocou a ponta metálica da seringa no ombro... e... o espeto pontiagudo de duas pôlegadas atravessa a carne... O ombro prova reconhecer o gosto de ferro em um misto com o agudo. Sensacional, coisa de instantes... Ela fez isso mais duas vezes e marcou a próxima para trinta dias.

Volta da sala e depara-se com o bravo vô.
- É coisa de velho só! - Exclama com um forte sorriso.
- Ótimo!... Também me apaixonei pela moça da vacina...
- Vamos passar no mercado, quero umas mandiocas para o almoço - Prontifica Edwin quanto a seus planos culinários, equilíbrio de pratos e talento nos temperos...

Sobem no carro e Edu liga um som instrumental chamado Corthexiphan, um instrumental calmo que imanta o ambiente. Troca marchas e saem em direção ao mercado, quando o rapaz aproveita para contar uma história sobre guaraná em pó: - Uma certa vez... O Eli estava empolgado com um campeonato que ia rolar no final de semana, à cidade de charmander, chamamos o Surfista que foi ao volante e o Japonês sob suas primeiras aventuras de skateboard. Às cidades vizinhas sempre haviam competições e a gente sempre desmanchava por lá!

Combinado no sábado, Gol preto, surfista na boleeia e a namorada no acento ao lado. O resto no banco de trás. O Eli na genial noite anterior, talvez pela empolgação, preparou alguns litros com guaraná em pó, contudo, misturas com sucos diversos e várias garrafas.

Saímos à estrada sob uma discussão quanto a potência do guaraná em pó, ressalvo em diferentes pontos e razões: Eli afirmava que a bebida não dava vez ao cansaço e a preguiça ia embora; eu costumava defender que não sentir desânimo bastava, energia por energia até leite com chocolate...; O resto da turma interpretava como algo mais forte do que café e a questão tratava de vencer as funções de um dia que começa de manhã e termina a noite.

Só que na noite de sexta eu dormi na casa do Surfista, a pegada era limpar o carro de balada e jogar um pouco de vídeo game, mas só jogamos. Saímos cedo no sábado com os pés em cima de latas de heineken amaçadas, sujeiras diversas e peças de skate.

Entre estrada e risos, chegamos! A pista era atingida pela força maciça de um chá de sol, condensados skatistas dentro de um bowl de rampas imensas. Guaraná em pó pra dentro! Skatamos o resto da manhã, almoçamos algum lanche, voltamos contra esperados momentos de competição, no meio termo: mais guaraná em pó...

Todo mundo participou, chegou no momento do pódium, fui chamado ao segundo lugar pelo locutor ``O menino que parece pertencer a categoria de amador 1, Eduardo!`` Sigo ao locutor com a pose de campeonatos semanais. ``Ladrão de premiação!`` Amigos soltam sonoros reconhecimentos. Houve amadores bolados circulando o lugar, amizades feitas, amizades reencontradas, escureceu e pós conversas e goles de guaraná, seguimos à viagem.

O Eli encontrava-se estraladão; a empolgação tomava conta, passava mal de tanto zoar! Não calava-se e recontava os acontecidos, o carro transbordava papos sobre manobras, sobre planos pensados, sobre a organização e sobre a premiação... Mas, o menino Eli não acalmava-se; comparou eventos; contou histórias de skate na infância; Relembrou curiosidades; comparou seu skate atual com skates de qualidade, o menino que era quieto estava tomado pelo guaraná! Manteve-se extremamente alegre! Contou sobre cola no tênis; sobre experiências pessoais; e falou... Falou... Falou...

Os risos não cessavam e Surfista estranhou:
- Você tomou mesmo todo aquele guaraná?
Foi quando o sentido tomou a vez em um grito conjunto da turma:
- ...Pior!...
O efeito energético da manhã estava mostrando atuação àquelas horas da noite.
- Foram três litros! Vocês tão normal e eu to estraladasso! Fiz várias garrafas e tomei o dia todo, depois participei da vaca de energéticos e dos refrigerantes...
Talvez a sensação fosse de intoxicação com super ânimo!

Ocorreu uma espécie de cálculo sobre onde foi o erro: a quantidade de guaraná misturado na água ou a quantidade de garrafas? Um dia daqueles era possível com menos energéticos? Será que dá pra dormir depois do que deveria ter sido cansativo?... Eli continuou sorridente e falante naquela noite, viagem pela Br, gol preto e risadas...

...

- Seus amigos são doidões! Que memória de elefante! Coisas dessa vida... Eu já dei essa pisada na bola! Uma vez quando plantava lá na fazenda... - Vô ri e compara na memória sua ressaltada experiência...
Chegam ao mercado! Na procura da vaga... Vê um quadrado, estacionamento, entre dois carros; imagina uma manobra de drift, ao lado do vô que reconheceria tamanha habilidade!... O menino coloca o carro paralelo aos outros, manobra a manivela de câmbio, calmamente, encaixa o veículo e puxa o freio de mão.
- A máquina de sorvete voltou a funcionar! - sai correndo cego pelo açúcar, enquanto o vô fica le esperando...
...
Fazem os compromissos do mercado e voltam, sob histórias diversificadas, contos de terror perto do meio dia; previsões de crescimento das flores do quintal; skateboard e histórias otimistas...

O pop e as manobras de Out



Ao deslizar com o skate em um obstáculo, a manobra de saída (out) é só de um toquinho.
Após todo um percurso equilibrado, a manobra de saída não precisa subir tanto e faz proveito da altura.

O equilibrar oscila a posição do skate, no final da manobra o skate é alavancado no pop, essa manobra de out cumpre o papel de joga-lo ao lado ou joga-lo à frente. Sem tanto compromisso de encostar o skate no obstáculo, onde um toquinho é suficiente para girar um Flip.

As condições de saída de manobra não exigem muito pop, a manobra de out mais dá sequencia a todos os fatores.

O Bar da Lógica Skateboard



No fim da noitada, alguns estavam além de bêbados, alguns meio inconscientes; o Egon não bebeu e o Chapa encantou uma gata. Dexter tinha um troféu guardado na mochila e uma medalha de segundo lugar no peito. Estavam no Bar da Lógica desfrutando contos sobre manobras e somatórias.

Dexter conta ao Barmen ``Flip Nosegrind são duas manobras, 1 + 1 = 2!`` e continua ``Se considerar o Ollie na lógica, fica 1 + 1 + 1 = 3!`` Enquanto volta de um gole de vinho,
``Eram rotações e caixotes; caixotes e rotações.`` Não há um gosto melhor em vida do que misturar lógica com o esforço físico, a mente diverte-se, o corpo diverte-se, o transitar químico de sensações prazerosas é gerado a partir das manobras!

No Bar, bebiam Vinho da Lógica, brindavam o Best Trick, 3flip no Grand Quenia com ``Saúde!`` e desmanchavam satisfação entre troca de perspectivas sobre o evento.
No vento ficavam pareceres, a conversa com o Barmen continuava ``Uma trick de giro simples mais caixote ou tricks de giros duplos mais caixote`` e Dexter traz mais e mais aspectos de combos e caixote...

No final da noite estavam todos derretidos, a sessão manobras de evento e sessão bar terminou em risos e história a contar.

O emaranhado na gringa



Nessa época a gente aprontava muito, sem tranquilidade, início do milênio, quando a gente alugava fita de vídeo na skateshop pra assistir algum... Aliás, lembro que a 411 era cinquenta centavos por dia, ficava um mês lá em casa... Andava de skate na frente dos shoppings sabadão e chegava nas baladas da argentina... Colava nos bares paraguaios, cantava só as chinesas, pedia as garrafas caras ao garçom... Gatas de vários países, negócios e fronteira, um ponto de encontro a se desfrutar misturas... O garçom trazia no balcão, ele dava as costas, a gente saía com a garrafa pra dentro da night... e, naquela noite, foi desde cerva a tequila ou bebidas azuis do infinito ao surreal.

- Hoje à Argentina é sem massagem né Alfa? - Blue-men celebra comigo, juntamente a uma noite prometida.
Bebemos várias, sempre um copo na mão, a visão turva, o teto preto, o som alucinante, só delírio. Pego uma gata meio termo, de relance em um golpe de cantada; lembro que no banheiro vi um cara no chão, tinha um moleton dentro do vaso; Blue-men pegou amizade com a Dj; Os golpes de luzes deleitavam rebolados de gatas multicoloridas, vestidos amarelos, vestidos vermelhos; achei uma bala de menta na minha boca; A noite rolava solta, os sábados rolavam soltos, só falcatruas...

A menina que eu cantei ficou falando por um tempão, não lembro o que, lembro que enchia o saco... Então peguei o copo plástico com licor e virei na cabeça dela... Nessa o segurança veio pra cima, e eu tava muito louco, segurou meu braço e não entendi direito, ``ele quer brigar?`` E não soltava. ``Então ele quer brigar!`` Já mandei um box no meio da fuça, ele foi pro chão, no outro instante, eu tava no chão... Cinco seguranças, a raiva atravessou o couro, rápido fui pro box com todo mundo... Hoje eu vejo que foi merecido, porque não tinha jeito, a gente era loucasso na época... E tomava soco, desnorteava, não ia pro chão, não sentia. Dava soco sem ver, batia em cheio, batia e escapava. Golpeava pensando em defender, defendia mirando a próxima. Argentinos por todos os lados, me seguraram no mata leão, arrastaram pra fora da night. Lá fora, solto, me vi sem camisa, só sangue, procurando meu carro ``No porta mala tão todas as ferramentas do skate, volto logo buscar um por um desses arrombados!`` Não encontrei, não achava meu carro, não sabia da minha camisa. Peguei a chave, fechei na mão, vi feito soquera e voltei pra cima dos caras! Cheguei esmurrando o cara dessa forma... Recomeçou e logo chegou a Polícia, parei no chão, nessa eu levei bicudo e bem me recordo, sosseguei. Tive que sossegar, cinco seguranças, polícia, abatido e doidão...

Me colocaram na caçamba da viatura, conversavam em espanhol, calmos, enquanto eu pensava ``Vão me matar! Vão me matar!``. A cena parecia prometer final triste ``Mas, qual deles vai me matar? Um deles. Um deles vai me matar!`` e sentia uma certeza que dava vez à aceitação... Chegamos na delegacia e lá a sessão box recomeçou, dessa vez só tomei porrada. Um dos sujeitos que se envolveu na troca de socos dentro da balada era policial, ele foi me pegar na delegacia, lá foi um box mais cruel. Me soltaram dentro da cela, fiquei muito louco, mijei no chão! Pensava que iria sair em cinco minutos, não sabia que ia ficar por ali. Mandaram entregar os tênis e o cadarço da cinta, pensavam que eu ia me matar. Fiquei por ali, sem ter onde pisar, sem ter onde sentar. Só fato triste.

Fiquei bastante tempo por lá, pensando, as algemas foram necessárias, eu brigava sem tombar, apanhava, mas não tombava, bravo... Depois de tudo, cela, enquanto imaginava que se fosse no paraguai eu virava presunto... Uma amiga foi naquela noite na delegacia dos castellanos tentar me soltar, não conseguiu... Pediram dinheiro vivo, ela só tinha cartão. Fiquei por lá nessa noite. No outro dia pude ligar pro socorro, chamei o Bulltz diretamente do Center Company, treinava Nollie Varial Flip no final de semana e era amigo de infância; estudamos juntos, ele era advogado, na época, há uns três anos...

Dia seguinte de opalão, Bulltz chega na penitenciária argentina, em sua primeira tentativa de negociar a minha soltura. Não consegue, óbviamente, queriam mais que uma fortuna e dormi mais uma noite, sem curativo, sem massagem, entre grades e pesadelos.

Noutro dia trash o escritório de advogados mobiliza, chegam com um pedido de soltura de preso brasileiro, cujas leis próprias dariam conta da pena. Foi quando eu Alfa, ensopado em sangue rijo, pude sair do amargor da garganta dos argentinos, em meio ao terceiro dia de confinamento.

Chego no país sem acreditar, sem conseguir conceber tudo que havia passado. Deixei pra agradecer melhor o amigo logo que melhorasse e parti, sem curativo, pra casa do Delta. Irmão de todos os dias e todas as sessões, abriu a porta naturalmente e... Não acreditou, não entendeu, não era uma realidade: Um buraco no fim da sombrancelha direita, um balão roxo na sobrancelha esquerda, lábios da Jolie e bochechas de boxeador.

Acolhido, eu contava delirando os útlimos dias, os pais do Delta me olhavam entre o espanto e a não compreensão. Passaram-se muitos dias e o tratamento digno de um hospital teve de se resumir a itens médicos caseiros. O reflexo da noite se deu por uma revisão pessoal, eu aprontava muito... De qualquer maneira, passou, e por lá eu volto, mas, hoje na tranquilidade. Atrás de uns pastéis de presunto e queijo e umas brejas... Pra não esquecer que o ponto das gringas do mundo todo, auroras de loiras, luzes noturnas, bordas de praças, bares e feirinhas, a night continua...!

Um último romance



Todos os dias Arthur chegava atrasado, dois murrinhos na porta da sala de aula. Cara de satisfeito!... Skate embaixo do braço, pedia para entrar. Vinha de um trajeto distante, um bairro de edifícios, lentamente, entre remadas e remadas, a vagar calmo pós leite com chocolate e pão da manhã, desacelerado e satisfeito. Um tanto impontual, não atrevido, mas, inoportuno e em condições de costumeiro atraso, pouco depois do ponto fixo do horário.

Assim desbravou as responsabilidades joviais, entre amigos e muito skateboard. Entre algumas namoradas, corações partidos e aventuras. Uma vez sua galera do colégio combinou um encontro em uma festa a fantasia, pré Hallowen, com direito a criatividade na indumentária.

De ``skatista anos 90`` foi, um par de tênis lindões, boné colorido e uma bandana no pescoço, calças cujo fundilho aproximava-se do joelho. Viu todos os seus amigos sob luzes noturnas, golpes de holofortes azuis, bebidas verdes e globos que brilhavam feito confete de fótons...

Viu Ana, linda, ao lado de suas amigas; peculiarmente reluzindo o próprio desejo. Ela parecia um eclipse, inconquistável e raro feito um momento que vale uma vida na memória. Ele tomou coragem e se aproximou, contou um quebra gelo, puxou algum assunto infinito... Encantado, via nos olhos dela o reflexo do próprio querer... Pediu um beijo. Ela ouviu, sorriu, pensou, respondeu com um sim que tornou-se o início de um casal em uma noite inesquecível.

Os tempos passaram; logo ele, em treinos excessivos sobre o skateboard, tornou-se responsável no mesmo. Assumiu apoio de marcas, gravou curtas, correu eventos, fez fotos comerciais, defendeu pódiuns e chegou a nível profissional... Mais tarde, entre os vinte e os trinta anos; vivia o misto de fama com esporte, uma particularidade categórica na vida de um skater profissional. Envolvido com mídias específicas e um tanto desligado dos numerosos campeonatos. Agenda de diário skateboard, desfrutava um sonho não menos grande quanto seu próprio tamanho!

No final de ano foi visitar sua mãe na cidade do seu histórico adolescente. Ficou nostálgico, viu os antigos amigos, as antigas ruas, os antigos lugares... Passou no Shopping, conhecer a Mini Ramp nova da SkateShop nos últimos andares... Passou na sorveteria, pegou um Milk Shake de frutas vermelhas, novidade pós Natal, quando viu Ana. Linda, entre vitrines em uma loja de livros. Entre o espantado e o apaixonado, um tanto surpreso e tímido de skate em mãos, só de passagem, calça caída, distante de estar apresentável.

Avulso, pensou em improvisar um oi; pensou em procura-la no telefone; pensou em desfarçar um desconhecimento; pensou, pensou e parou quieto. Observou a saída da livraria, Ana saía com uma sacola, queixo à cima, um sorriso no rosto, olhou para o lado e... o notou! Abaixou a cabeça, deparou-se com a timidez, olhou novamente e o reconheceu! ``Arthur!`` e um beijo na bochecha formalizou um reencontro; conversaram por uma hora e mais porções... Trocaram numeros de telefone e se despediram ao que seria o início de longas conversas de final de ano...

Ele precisava voltar à capital em Janeiro, compromisso com fotos e um comercial; sabia que seu encanto de Dezembo seria sem futuro. Sob várias trocas de mensagens, viu a questão piorar, a distância de realidade ir ao além, ela havia tornado-se Médica, aliás cirurgiã em notória importância profissional. Cuidava de vidas, suas horas valiam fortunas, era habilidosa em notório conhecimento cirurgico e seu tempo extremamente ocupado.

Eles continuavam conversando um tanto apaixonados, talvez irreversivelmente, sem ver começos ou presumir finais. Combinaram um encontro de Reveillion! ``Pós as festas, que tal ver os fogos lá na arquibancada da areia do mar?`` Convite que ela aceitou em condição pontual: ``Às 00:10hrs!``

Alguns dias depois chegou o último do ano, final de Dezembro a noite. Quando famílias festejavam, ceias traziam frutos e frutas; Champagnes esperavam os últimos instantes do ciclo, quando Arthur recebe uma mensagem de reconfirmação. Contenta-se e assiste o início dos fogos, a contagem é feita, o ano velho termina e abraços o celebram!

Poucos minutos do novo ciclo e ele sai rápido. Pega as chaves do seu apelidado ``CarroBoard`` e só vai. Encontra Ana frente ao seu condomínio, um abraço e risos comemoram o ano novo e iniciam o passeio. Ela conta sobre a rolha de champagne que passou rápido pelo seu braço ``Raspou``; os fogos que subiram antes da contagem e que da areia sob o céu noturno a vista seria surreal.

Desceram e foram à arquibancada; explosões douradas golpeavam os céus; lágrimas e sorrisos diziam-se incapazes de traduzir emoções; assistiram o show de chamas voadoras; contaram sobre suas pirações e sonhos de Reveillion. Provaram-se em beijos que pareciam continuar a noite da festa há muitos anos... E um novo começo formou um casal próspero e apaixonados.

Ele teve que voltar para a capital, ela teve que voltar para uma rotina intensa; eles sofriam com poucos encontros, mas ignoravam problemas; quando encontravam-se eternizavam momentos, provavam a saudade, amam-se como nos primeiros encontros, festejavam-se encantados e provavam que finais pertencem só aos contos de fadas... Não para eles...

Outros complementos



O mundo não nasceu skatável! Lugares para andar de skate são poucos, contudo, nem sempre bons. O skate é um esporte que machuca! Aliás, entre tentativas, o erro é porrada versus o chão. Skate em si é em simples amor e destruição.

Os lugares para a prática do skateboard são mal projetados, na maioria das vezes, sucetíveis a sol e chuva, bordas sem padrões de altura e rampas sem cálculo... Os asfaltos e as calçadas comuns não são nada skatáveis.

A prática de manobras é algo impreciso, aliás, a evolução sobre o skate não possui uma linearidade regular. Há sessões que não rendem, enquanto outros esportes possuem evoluções precisa e lineares.

No final o ganho de manobras, sobre as condições de prática de skateboard atuais, surge contra perda de saúde. O exercício excessivo só dos membros inferiores e a alimentação baseada simplesmente em lanches...

Entretanto o skate é muito jovem, o tempo vai tratar de adequar os lugares e tornar a prática mais vantajosa. Trata-se de um esporte ótimo em vários fatores: Entre muito equilíbrio e muita sensibilidades; entre muita maleabilidade mecânica do skater e muita resistência muscular; entre muita informação positiva sobre skate em cérebros apaixonados por rodopiar boards com trucks; fazer do sensacional amor pelo skate maestria em exercício real.

Contudo, entre render e o não render, entre o tempo que promete e o tempo de espera. Na imprecisão do skateboard há maneiras de complementar-se com outros esportes. Skaters mais experientes trabalham os músculos fora do skate, pulam dentro de piscinas e nadam quilometros, ganhando além de notória resistência, forte controle do fôlego e forte musculatura total. Dentro de um ambiente outro ambiente, um plano controlado pela densidade da água, onde o mover-se é mais pesdo e mais demorado, sente-se muito mais os movimentos e o prazer é incomparável, algo quase intraduzível como o skate. Há eminentes melhoras no skater como um todo sem nenhum risco de dano.
Enquanto outros esportes também são ótimos em seu equilíbrio de prática, desde corridas, pedaladas e musculação. Puxar peso vai além do crescimento muscular e passa a tornar-se uma relação de intendimento pessoal, quando você aprende sobre seus músculos e nota-os em fluxo ou nota-os sob tensão; aprende a sentir a resposta que um pouco de exercício de horas tem em você ao longo de outros dias... Enquanto pedalar é a verdadeira liberdade das vias, o fluir rápido e o deleitar luzes noturnas, passar em vários cantos dentro de poucas horas e encontrar gatinhas, sentir a conexão: concentração nos movimentos do pedal e a resposta na catraca. Logo, o proveito torna-se algo além de bom e saudável, também prazeroso e divertido...

Skate é tão prazerosos quanto cálculos para calculadoras, entretanto, sob o excesso de horas e nas condições oferecidas pode ser imcompleto e danoso. Complementos como piscinas, acadêmias e bike são praticados por skaters com mais experiência. Cada um tem algo pra ensinar e com cada um você pode aprender, sem abandonar o tempo e o amor pelo skate.

Um morcego entrou pela janela!

Num momento em queu vinha do banho, de berma em quarto meia luz, vejo um alado preto, do tamanho de um palmo, vir do horizonte de estrelas ao cômodo.
O bixo entrou de razante e me intimou pro box; veio pela direita! Ginguei pra esquerda! Quando ele deu com a parede, um golpe de asas deixou-o em slow motion posto ao ar em frenesi, batendo asas, dentro dum duelo!
Toalha em punho, avisto o tail do board embaixo da cama e com um toque ele sai de baixo do móvel do dormitório cúbico, outro pop faz o skate subir no punho enquanto drácula dá vários três meias em uma procura às cegas. Assimilo um plano rápido: ``um golpe relâmpago! Ele nem verá o que o atingiu!``
Quando em um bote rápido ele me dá um murro no peito, o skateboard corta só o vento, meu másculo grito com tremilique o assusta, se bem me recordo, enquanto ele encontra o chão e só corre por terra em direção a entrada do par de Ous, entre o guarda roupas e o pé da cama. ``Seu futuro caixão!`` Grito, calma e masculamente, enquanto pego o board e posiciono o corpo à trás, em uma posição de gangorra, onde um só golpe daria a visão das estrelas ao morcego.
...
''Que que foi exatamente cara?``, avisto-o encolhido em um vibrante temor, pós presenciar notórias habilidades de ginga. ``Seguinte! Eu vou ali pegar uma sacola. Só você não morder que prometo não te matar na truckada, ok?``... Encontro uma sacola grossa, volto e posiciono-a com a boca do Ous, primeiro passo-o do casulo, numa firmeza cem porcento, de maneira segura e sequencialmente aproximo-me da janela; Entre pensamentos soltos de guarda-lo num pote para sempre, chama-lo de ``Melhor amigo`` e trocar umas ideias sobre frutas vermelhas, sei que ele não é bebedor de sangue. Melhor deixa-lo ir, ele pode ter amigos, esposa e família, uma crew de morcegos e desfrutes noturnos. Fecho um pouco a janela metálica, igual colheres, seguro o truck no punho direito de plano B, coloco a mão esquerda masculamente segurando a sacola com o morcego. Movimentos esparançosos tentam livrar o alado noturno. Pra um lado e pro outro! Pra um lado e pro outro! Pra um lado e pro outro! enquanto ele debate-se feito quem deseja voltar pro calçado. Pra um lado e pro outro! Ele e a sacola entram em frenesi! Dá-se um box com as paredes! Pra uma lado e pro outro! Quando ele sai, descarnado e furioso, ganhando a noite e pronto pra brindar a vida, rumo ao bar dos morangos noturnos.