31 de jul. de 2022

Ciro em brasa num episódio fantasma




          Em seus vinte e poucos anos Ciro viveu experiências que compuseram uma bagagem profunda. Imagine que há na vida um sistema de desafios estruturado em fases, onde a medida de suas conquistas o coloca em uma escala de graduação de consciência interna, e quanto mais alcance nesses níveis conscienciais, externa-se um potencial incrível desde o reconhecimento sólido da matriz existencial, ao perfil de sujeito forte e hábil frente a realidade. Ser humano é como ser uma pedra mineral, destinada ao refino até tornar-se uma esmeralda de joalheria. Não é possível fugir disso e viver em um outro mundo de flutuação e moleza. Embora passar por fases seja difícil e nada prazeroso, Ciro Korangar conta a respeito de uma difícil fase da vida:

          - Eu vivia uma vida normal como todas as outras pessoas, o problema é que o pano de fundo da minha história não continuaria imperceptível, se expressou e precisou ser decifrado. Vou recapitular que as histórias dos livros não costumam ser contadas em perfeita linearidade, talvez não sejam notadas as steinheggers das árvores que compõe o conto, talvez se descarte, ora, por hora, a descrição a respeito da densidade dos planos dos personagens. Contar a profundidade dessa história vai exigir o embarque em um carro do tempo programado para 5 anos atrás, e fazer uma viagem para o passado:
Voltando no tempo...

          
Estou passando pelo luto da última pessoa que me restava, minha mãe lutou contra o câncer por dois anos e faleceu. Nos primeiros dias eu não conseguia falar nem ver, permaneci em estado de silêncio por semanas até que os hábitos fossem retomando-se aos poucos. O silêncio nessa casa é muito intenso, o ambiente possui um mesmo ar de concentração sem fim, e muitas vezes eu perco a noção do tempo e sobre os livros muitos dias passam. A rotina é persistente e normal, vindo de anos de leitura, passo cerca de 10h lendo e quando dão altas horas da noite, levanto da cadeira e dou uma volta. Vou às escadas de incêndio e me sento nos degraus enquanto deixo a mente flutuar e dizer tudo o que quer dizer.
          Em mais uma noite parei sentado e quieto nos degraus daquela escadaria sem nada além de uma fraca luz de emergência. Foi quando algo vindo da escuridão pronunciou palavras claras. Procurei a origem da voz e não encontrei, foquei em um canto escuro e percebi o formato de uma pessoa, embora estivesse invisível era um ser perceptível. A figura não possuía nenhuma solidez material, era de um aspecto enevoado na penumbra, uma espécie de holograma sombrio. Era possível sentir que ele estava ali, sentir o formato, sentir que emitia alguma consciência, continuava possuindo a leve densidade de um Fantasma! Falei diretamente com a sombra pra ver se respondia. Depois passei a mão pela área da entidade e a impressão foi que aquele ser já havia passado por ali, trazendo a ideia de que havia uma diferença de tempo entre nós. Então percebi que o instante em que ele falou não foi o instante que eu ouvi, o instante em que ele passou não foi o instante que eu percebi. Ele não estava sendo descoberto, a verdade era que a manifestação desse ser era intencional. Quando se pronunciava, por vezes, não parecia confiável e suas intenções davam um salto para o caráter perverso. Resolvi ignorá-lo e deixar o assunto no esquecimento, fui pra casa e liguei o televisor, sentei no sofá, assisti o jornal JG e fui dormir.

          Outro dia sigo a mesma rotina até o anoitecer. Por volta das 22:00hrs vou até as escadas, sento nos degraus e deixo ecoar as ideias que transbordam.
          - Você vai lá amanhã? - Algo vindo das sombras incontestavelmente se manifesta. Uma frase inteira e inteligente, ainda que consciente sobre afazeres pessoais. Ao canto das escadas era visível o salto de uma figura que havia passado por ali. Fiquei por ali até que então ouço um som sobre o teto - uma cadeira arrastando em uma sala. - Mas sobre o teto da escadaria de um edifício o que há são escadarias, não existe essa sala. Ué, então passei a questionar se eramos do mesmo mundo. Essa entidade estava brincando comigo? Como eu poderia saber o nível de alcance dele sendo invisível e pertencente a um tempo diferente do meu. Pressupus que as escadarias pudessem ser um local que é ponto de relação entre o meu nível material, e o desta entidade pensei que fosse um espaço espiritual.

          Indefeso naquele instante, voltei pra casa ao passo de 9 metros/s! Repensei tudo que se passou observando o passar dos minutos de um relógio. Logo recapitulei alguns fatores: você consegue se lembrar dos Ghost Busters? Existe o filme e o programa de televisão, onde os Caça Fantasmas vão até os locais mal-assombrados. Trata-se de uma profissão real e as equipes vão aos locais muito bem preparadas com equipamentos, usam medidores eletromagnéticos constatando se onde há a manifestação há oscilações elétricas sobre o espaço. Também levam amplificador de áudio onde captam o som ambiente e quando repassam aumentam o volume nos headfones, conseguindo muitas vezes captar falas que eram imperceptíveis. Usam câmeras de vídeo e máquinas fotográficas afim de registrar qualquer encontro fantasmagórico. Além de tudo as equipes possuem Walkie-Talkies, termômetros, e diversos equipamentos. O trabalho deles é localizar a entidade, compreender a razão das manifestações, e por fim conseguir fazer com que o lugar deixe de ser assombrado. Essas caçadas são reais e perduram com milhares de encontros que vão desde fantasma de animais a Orbs fantasmagóricas que passeiam conscientemente por locais mal-assombrados.
          
Um dos casos mais emblemáticos foi o da Brown Lady, que seria o espírito de Dorothy Walpole que permanecia vivendo na casa da família Raynham localizada na Inglaterra. Após o conflito de um casal do século XVIII, o marido trancou a esposa em um dos quartos de Raynham, onde ela veio a falecer de varíola. Tempos mais tarde, por volta de 1936 dois fotógrafos de revista foram a mansão preparar uma matéria imobiliária. Ao entrarem na recepção avistaram na escadaria a figura de uma mulher se materializando e descendo os degraus. Quando um deles preparou a câmera rapidamente e fez a famosa foto da Dama de Castanho:



          Joshua P. Warrer em seu livro Como Caçar Fantasmas cita a Brown Lady de Raynham entre outros casos de registros fotográficos documentados. O tema pode ser contestado e a palavra ''Fantasma'' pode ser mal compreendida. Existem outras obras que estudaram o tema, mesmo que sob os limites de seu tempo. Ligam-se obras que são respeitadas pelo início do estudo e que são desprezadas pela imaterialidade das provas científicas. Considera-se ainda que estudos iniciam-se superficialmente como foi a Química pra Lavoisier. Embora a experiência pessoal seja a prova mais intensa para alguém. Vou contar uma experiência pessoal e depois classificar apropriadamente a palavra Fantasma.
          Estava eu entre afazeres pela casa, e na cozinha planejada há uma estante de três alturas, onde no segundo andar estava um litro de Qboa, água sanitária. E quando eu entro na cozinha aquele litro de Qboa se arremessa frente ao meu peito, não como a simples queda de um objeto, mas como se alguém tivesse atirado a Qboa com a mão em um notável cinético afronto. Para a vista Pessoal, a mensagem foi muito clara naquele momento, então peguei a agenda e relatei o acontecido descrevendo-o mesmo que parecesse irreal. 

          
No livro do Joshua há uma classificação de fantasmas que evita confusões entre os relatos. Havendo portanto, Foco! Desse modo se avalia assombrações caso a caso: 

 
Impressões
          ''Entidades são normalmente algum tipo de vestígio de uma criatura viva. Mas e quando há fantasmas de objetos inanimados? Um exemplo clássico é o Holandês Voador, um agourento navio-fantasma. Por cerca de dois séculos ele tem trazido desgraça para aqueles que o veem.
          De acordo com a lenda, o cruel capitão do navio era um homem rígido e destemido. Quando ele e sua tripulação navegaram com a fantástica embarcação pelo cabo da boa esperança, abaixo do extremo meridional da África, uma tempestade escura e aterrorizante surgiu. A tripulação, assustada, implorou que o capitão navegasse para um porto seguro. Ele, totalmente bêbado, vociferava. Então gargalhou de maneira demoníaca enquanto gritava para Deus: ``Você não tem poder para afundar meu navio!`` Não é de surpreender que a embarcação tenha afundado.
          Até hoje, o Holandês Voador é visto navegando pelas águas inquietas. Conforme a tempestade se intensifica, ele emerge, como de uma névoa, e então boia pelo mar escuro uma luminescência espectral brilhando em todo o seu contorno. Depois, o navio desaparece em uma distância imprecisa. Acredita-se que alguém que observa essa visão deve aportar imediatamente.
          Esse barco é obviamente o que pode ser considerado uma coisa sem consciência. Na verdade, até onde nos diz respeito, ele nunca teve consciência ou vida para começar. Você pode ver como uma aparição dessas entra em conflito com nossas ideias sobre entidades. [b]É verdade que todos os objetos, até mesmo navios, têm um corpo de energia eletromagnética.[/b] Mas, se não estamos falando de mais nada além de um ''navio de energia'' que pode boiar por aí da mesma forma que um navio físico, por que ele flutua pra longe ou vai pra terra firme? Por que ele sempre é visto na mesma área geral sob as mesmas condições gerais, navegando da mesma maneira geral?

          Algumas vezes, fantasmas não parecem conscientes. Eles ignoram completamente os observadores, e sempre olham e agem da mesma maneira quase como uma gravação exibida de novo. Na prática, o fenômeno não é muito diferente de um curta-metragem em grande escala. Falta a eles a sensação de espontaneidade e interação encontrada em uma entidade.
          Por exemplo, se um assassinato cruel ocorre no quarto de uma casa, durante anos testemunhas podem ver o assassinato específico reencenado na cama. Cada incidente será idêntico, e o assassino e a vítima não se comportarão como se estivessem sendo observados. É como se o evento gerasse no ambiente uma impressão que fosse de alguma forma registrada.
          Estive em vários locais assombrados por espíritos de índios. Eu mesmo ouvi as batidas baixas de tambor que se deslocavam pela noite. Na verdade, minha equipe foi até mesmo capaz de gravar esse fenômeno. Por incontáveis anos, as batidas de tambor ressoavam nas colinas e vales. Ora, o ritmo espiritual delas está literalmente impresso sobre a área? Em algumas ocasiões - as ocasiões certas - ele emerge de novo?
          Quando parece que um evento significativo ou persistente foi impresso no ambiente, isso é chamado, de maneira bem apropriada, de Impressão. Já que também se referem a esse fenômeno como uma ''assombração de memória do lugar'' ou ''assombração residual do lugar''. Aliás, alguns parapsicólogos usam apenas o termo assombração ou assombrado para descrever o fenômeno. Você deve perceber que, neste livro, as palavras ''assombrado'' ou ''assombração'' são usadas no seu sentido mais geral, aplicado tanto a impressões psíquicas como à atividade de entidades conscientes. Para nós, um local assombrado é um lugar onde a atividade de fantasmas de qualquer tipo persiste por mais de um ano.
          Impressões são quase sempre vistas, e algumas vezes ouvidas. Em casos raros, uma impressão também pode ser sentida. Isso equivale a dizer que, se você vir uma impressão de um veículo acelerando em sua direção, ele vai normalmente passar por você. Por outro lado, existe a chance de ele não passar por você. Em alguns casos, uma impressão é mais do que apenas uma experiência auditiva e visual. Neste caso, você pode se machucar. Uma presença física real pode ser reproduzida quando a impressão se põe em movimento. Embora seja conveniente pensar em uma impressão como um filme curto gravado naturalmente, você deve se lembrar de que esse filme é capaz de registrar alguns ou todos os aspectos de uma experiência realista, integral e tridimensional. No entanto, eles apenas reproduzem alguns segundos, até um minuto, e só são vistos quando atendidas algumas condições desconhecidas. Mesmo as ''impressões de aniversário'', vistas em uma certa época todos os anos, nem sempre são confiáveis. Alguns observadores as veem e outros não. Esses atos gravados podem se reproduzir apenas quando certos fatores ambientais estão presentes. Eles podem, portanto, ser influenciados pela presença de íons eletrostáticos, pelas mudanças magnéticas da terra, por padrões do clima ou por qualquer número de variáveis atualmente desconhecidas. Isso significa que, virtualmente, qualquer um pode observá-los se as condições forem atendidas. Por outro lado, a capacidade de observar impressões psíquicas pode, em vez disso, residir no olho do observador. Se essa informação é retida em uma forma que apenas algumas pessoas podem ver ou sentir, um observador que inconscientemente tem essa habilidade pode ficar surpreso em observar um incidente que os outros não veem ou não podem ver.
          Mas por que um acontecimento imprimiria a si mesmo no ambiente? E como? Albert Einstein uma vez disse: ''A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão, no entanto persistente.''

 Distorções
          ''Muitos investigadores tradicionais de fantasmas estudam apenas entidades e impressões, que são a base de 90% dos locais assombrados. No entanto, agora iremos nos aprofundar nos extremos da pesquisa paranormal. Vamos começar com o mais complexo de todos eles.
          Se um local é assombrado por uma entidade, certas marcas de identificação são exibidas. A atividade será espontânea, errática e interativa. Se for uma impressão, será não consciente, previsível e não prestará atenção no que a rodeia. Algumas vezes, você pode encontrar um lugar com ambos. Mas e quando você encontra um lugar que inclui outras coisas além desses dois tipos de atividades?
          Minha equipe e eu investigamos uma propriedade onde um número impressionante de ocorrências paranormais tinha sido relatado. Havia entidades conscientes que amarravam fisicamente os donos da casa, deixando cortes e machucados nítidos. Partes da casa e os veículos da propriedade explodiam em chamas sem explicação. Com frequência os visitantes ficavam doentes ou sofriam de ataques surpresa de dores e enjoos. Um bombardeio de impressões pulsava pelo terreno, e os donos captaram milhares de imagens anômalas em vídeo ou em fotos. Houve até mesmo uma ocasião em que alguém na casa virou-se para se descobrir diante do que parecia ser outra dimensão: um lugar horrível e surreal, com nuvens em redemoinho e atividade perturbadora. Então, ela desapareceu. Pequenos objetos, como talheres e canetas, transportavam-se para outros locais. De modo geral, qualquer tipo de manifestação fantasmagórica era possível, algumas vezes ocorrendo por meio de sincronicidades extremas e negativas.
          Até o momento, a atividade que estivemos abordando é causada primariamente por eventos extraordinários que podem ter afetado qualquer local. No entanto, algumas vezes parece que o próprio local tem algo a ver com a atividade fantasmagórica. A terra não é uma esfera perfeita. Na verdade, ela tem uma forma semelhante a uma pêra. Por causa disso, ela vibra em seu caminho de órbita. Basicamente, ela está longe de ser um corpo perfeitamente equilibrado no espaço. O campo magnético da terra corresponde à forma física do planeta. O campo tal como ela, não é equilibrado. Parece lógico que alguns lugares no planeta sejam sujeitos a atividade geomagnética incomum, maior ou menor que no restante da terra. Isso nem sequer leva em consideração os campos magnéticos causados por estresse físico nas falhas geológicas. Partes diferentes da superfície são também afetadas de uma maneira única com base em sua posição em relação ao sol. Este lança rajadas maciças de radiação na terra, e alguns lugares são mais, ou menos, afetados por isso também.
          Há lugares na terra onde as leis da física parecem ser distorcidas, e a realidade algumas vezes se comporta de maneiras não familiares, criando efeitos fantasmagóricos. Esse tipo de local é o que chamamos de distorção. Eles são raros, mas, quando um deles é localizado, em geral torna-se popular bem rápido. As pessoas ficam entusiasmadas com a ideia de ir para um local onde quase tudo pode acontecer. Uma das distorções mais populares é o Triângulo das Bermudas.
          Pensar no Triângulo das Bermudas normalmente evoca imagens de navios afundando e aviões caindo. Realmente, desde 1900, mais de mil pessoas desapareceram sobre as águas entre as Bermudas, a Flórida e Porto Rico. Ainda mais convincente do que o número de desaparecimentos é a maneira como se manifestam. Por exemplo, considere os cinco aviões da marinha que desapareceram ao mesmo tempo em 5 de dezembro de 1945. Um pedido de socorro foi enviado pelo líder: ``Não podemos avistar a terra... Tudo está errado... Estranho. Não podemos ter certeza de nossa posição. Parecemos estar perdidos. até o mar não se mostra como deveria``. O contato foi então perdido e enviaram um avião de resgate logo em seguida. Ele também desapareceu prontamente. Nenhum traço dos seis aviões foi encontrado até hoje.
          Pilotos frequentemente comunicam interferência com os instrumentos na área, como ponteiros de bússolas girando. Além disso, raios e bolas de luz misteriosos são vistos voando rapidamente por certas regiões. A primeira pessoa que registrou tais iluminações foi Cristóvão Colombo, em 1492. Ele escreveu sobre elas em seu diário de bordo. Não faltam contos de fantasma na área, incluindo aparições, impressões e ``deslizamentos temporais``.
          Nos anos 80, Rick Stratton - um técnico de equipe de televisão com cerca de 20 anos - e um amigo alugaram um chalé bem no interior da Nova Inglaterra. A casa isolada foi construída por colonos morávios no século XIX. Ele achou bom morar lá por várias semanas e não vivenciou nada fora do convencional. Uma noite, ele entrou na cozinha para pegar uma bebida. Quando passou pela porta, foi imediatamente surpreendido. A cozinha parecia completamente diferente. A sala inteira parecia ``antiquada``. O mais estranho de tudo: um homem estava sentado à mesa comendo, e uma mulher estava parada em frente à pia. Eles estavam vestidos com roupas antigas. O homem e a mulher, idosos, olharam para Rick e seus olhos saltaram de surpresa, como se estivessem vendo um fantasma. Rick os encarou por alguns segundos, cada pessoa sem fala. Então eles sumiram, e a cozinha voltou ao normal.
          Esse tipo de experiência não é um simples caso de uma entidade. A sala inteira estava diferente. Também é uma impressão, já que o homem e a mulher estavam conscientes do observador e reagiram a sua presença. Então a onde isso nos leva? É o tipo de fenômeno que podemos chamar de ``deslizamento temporal``. Pareceu que dois momentos no tempo, um no século XIX e outro no final do século XX, deslizaram e se combinaram por um período curto. Tal fenômeno pode ocorrer no local de uma distorção. Você pode ver porque ele ainda é classificado como fantasmagórico - ele demonstra atividade que nos permite observar algum resquício do passado, ou ao menos pensar que podemos observar.
          As distorções exemplificam as questões mais complicadas com que a ciência se depara hoje. Esses são os lugares onde a realidade não é apenas afetada por uma anomalia, mas onde a própria realidade se comporta de uma maneira anômala. Elas podem distorcer todas as suas ideias sobre como a realidade funciona. O que é em cima pode passar a ser embaixo, e dentro pode virar fora. O tempo pára, se inverte, corre para a frente, ou não tem nenhum senso de direção. Você pode ter alucinações, ou descobrir que o ambiente a seu redor mudou por um período imensurável. Pode haver uma quantidade inacreditável de energia eletromagnética, ou, surpreendentemente, nenhuma energia. Basicamente, as distorções são pontos ativos amorfos de fenômenos fantasmagóricos e atividade paranormal em geral.
          É difícil definir as distorções, já que o âmbito de suas manifestações pode ser completamente estranho e imprevisível. Elas são uma espécie de miscelânea paranormal. Por essa razão, é fácil, para alguns, olhá-las com desdém. Elas são difíceis de definir. As distorções não são ativas o tempo todo, e as condições necessárias para despertar sua atividade são um mistério.
          As distorções são com frequência cheias de entidades - algumas vezes centenas ou milhares. Talvez por distorcerem o espaço/tempo elas consigam criar portais naturais. Esses portais são ``entradas`` pelas quais uma entidade pode ser capaz de se materializar, ou ganhar algum tipo de acesso físico, mais facilmente. Em geral, essas entidades também são capazes de gerar mais força devido ao ``véu rarefeito``.

          É raro achar uma distorção forte. No entanto, se você encontrar, ela pode fornecer toda uma vida de material de pesquisa. Muitas vezes acredita-se que locais sagrados sejam distorções, especialmente aqueles escolhidos pelos antigos celtas e egípcios. Alguns até acreditam que as pirâmides foram feitas para criar distorções. A ideia é que tais estruturas, pela natureza de seu projeto, manipulam energias.
          Qualquer que seja o caso, nosso planeta é, em muitas maneiras, superior a nossa tecnologia. Capacitores (dispositivos para armazenar, reforçar e manipular cargas elétricas) não tinham sido ``inventados`` até 1745, quando o cientista alemão Ewald Georg von Kleist desenvolveu a primeira jarra de Leyden. No entanto, por bilhões de anos, a terra tem sido um capacitor natural. O chão é um eletrodo, a atmosfera superior, outro, e o espaço entre eles, um isolante. A vida na terra era movida a energia solar bem antes de Einstein explicar o efeito fotoelétrico. Muitas e muitas vezes nos descobrimos imitando a natureza, mas nos dando tapinhas nas costas como se o conceito fosse originário dos humanos. Por outro lado, há ainda uma porção de fenômenos incríveis produzidos pela natureza e que o homem nunca aprendeu a duplicar para propósitos práticos.
          Você pode ter lido sobre buracos negros. São áreas de massa tão densa que até mesmo a luz não consegue escapar. Durante anos, os buracos negros foram considerados frutos da imaginação. Agora, cientistas confirmaram que eles realmente existem. O famoso físico teórico Stephen Hawking. Trata-se de uma emanação de energia que pode indicar a presença de um buraco negro. Ela é baseada na ideia de que algumas partículas podem escapar de um buraco negro - aquelas lançadas de volta ao espaço conforme o buraco negro lentamente se dissolve com o tempo. Dentro de um buraco negro está um ponto chamado de ``singularidade``. É o ponto no qual as leis da ciência falham e não podem ser aplicadas.
          É possível que, algumas vezes, algum tipo de fenômeno limitado semelhante a uma singularidade possa existir em alguns lugares na terra? Normalmente, a atividade de fantasmas trata de um aspecto do passado que ainda representa um papel paranormal no futuro. Uma distorção é um lugar que pode essencialmente turvar as distinções de passado, presente e futuro. Quando você encontrar uma dela, esteja preparado para tudo.
Distorções são:

1. Áreas onde as leis convencionais da física podem falhar.
2. Lugares onde o tempo linear nem sempre se aplica.
3. Locais infestados com entidades, impressões e uma porção de outras atividades paranormais.
4. Áreas imprevisíveis que podem distorcer as percepções além do entendimento da lógica.''

 Arauto
          O espaço e o tempo são relacionados de modo que um passo espacial tem um calculável significado temporal, logo o espaço é o tempo. Segundo a Teoria da Relatividade de Einstein a matéria curva o espaço-tempo. Nesse sentido quando um planeta está se formando o espaço ao redor curva-se, e esses arcos espaciais moldam a matéria em uma bola, formando um planeta. O arquejo espacial dá movimentos circulares a esfera que é o planeta fazendo com que esse habitat de espaço tenha seu próprio tempo cíclico.
O Arauto é o fantasma que em seu plano pisa na realidade e também transita pelo tempo vagando entre o passado e o futuro sem restrições temporais.
A verdade é que um número muito grande de obras relata futuros longínquos, feito que é muito similar ao potencial do Arauto. O que é visível em Dom Quixote de Miguel de Cervantes, com citações do que será o videogame, entre os séculos XVI e XVII. Há outras obras muito próximas da figura do videogame, como a obra de Joachim Patinir no Século XVI, o traço do quadro Crossing the River Styx é muito próximo do desenho de jogos.

Poltergeist
          São resumidamente espíritos que se manifestam com alguma materialidade. Os relatos são de cadeiras que se movem, e leves contatos com o mundo real. 

          
Ciro Korangar concebe que o fato de ter tido uma ligação com a entidade não era um bom presságio. Vamos lá que essa comunicação intermediava espaços distintos. Em outras palavras, de que modo a mente humana atende uma onda sonora sobre o espaço partindo de algo imaterial? Seria possível um objeto nesse sentido? Uma caixa de tênis ou uma bola de futebol? Veja que é até menos assustador do que um programa de terror, afinal na escadaria havia um ser vivo de inofensiva manifestação. A questão gira em torno do fato dele poder conceber esse plano, isso faz dele o que? Eventualmente Ciro leu os livros religiosos e leu os livros científicos, e passou por lições que lhe mostraram fase a fase que era algo, a princípio, difícil à mente palpar, e virtualmente, também normal:

          - Eu voltava àquelas escadas no final das noites, passava o tempo refletindo, e as manifestações avulsas da entidade que transitava por ali eram inicialmente bem leves. Mas com o hábito e o passar do tempo ele começou a falar mais, o que não se transformava em uma comunicação, ele costumava por auto dizer coisas desvinculadas da realidade do meu espaço-tempo, tendiam a ser ofensas muito intensas e muitas vezes sem pé nem cabeça. Ouvir seus ofensivos assuntos aos saltos sobre outras pessoas, significava ser envenenado pelo ouvido e ter o meu tempo reflexivo estorvado pelo excesso de interrupções. Logo percebi que as claras intenções da entidade eram perversas e, portanto deveriam ser ignoradas. O que levou pelo menos alguns meses em que fui adoecendo em virtude da atenção dada à entidade, fases não são exatamente como nós gostaríamos que fossem, e se por fim a entidade deve ser ignorada, por outro lado chegar a essa conclusão levou algum tempo de experiência. Há um quadro de Agnolo do séc XVI, Vênus e Cupido, que expressa a época:



          Resolvi ignorar essa entidade por completo, não ouvindo nem uma palavra. Posso dizer que continuei a mesma rotina normal, dando uma volta de Skate na pista pública, afundando em livros, e vivendo a benção que é viver.
          
Sempre jogo videogame, costumo acompanhar os jogos que estão pra sair, e zero os favoritos muitas vezes. Recentemente encontrei um jogo vindo da empresa Bloober Team, uma desenvolvedora Polonesa, e rapidamente descobri que todas as obras eram excelentes. Sobretudo o último jogo me cativou muito, e por isso está entre os meus favoritos. A obra se chama Médium e possui uma história muito complicada que assim se resume:



          Marianne Severo cresceu em uma casa que é o segundo andar de uma funerária, o imóvel pertencia ao seu pai adotivo Jack. Um homem com uma respeitosa bagagem de livros, é notável pelos cômodos da casa onde há estantes repletas, incluindo livros bagunçados com destaque para o único livro de interação, 1984 George Orwell o qual ela descreve como interessante. Jack criou sua filha com muito amor a partir da adolescência, até ele falecer. E a história começa com ela responsabilizando-se com o velório, enquanto anda pela antiga casa comentando como é crescer em cima de uma funerária, o que a ajudou a compreender seus poderes.
          Ela segue até a funerária e arruma o corpo de seu pai, e quando se despede o ambiente se manifesta, as luzes começam a piscar, e ela anda pela funerária até entrar no escritório que está todo bagunçado, e lá está Jack. Ele está preso em suas preocupações com o trabalho e procura um caderno. Um momento em que ela reconheceu seu estado espiritual e, sensibilizada pelo encontro, lhe dá um último abraço. Pede que Jack desapegue daquele mundo e despede-se de seu pai.
          Mais tarde ela recebe o telefonema de um sujeito chamado Thomas que, afirmando conhecê-la e fazendo afirmações impossíveis, pede que ela vá até um Hotel abandonado. Niwa Workes Resort, o local é conhecido por uma lenda urbana ''O massacre de Niwa'' onde, ilogicamente, uma revolta tomou o lugar em um enlouquecimento geral, resultando em uma chacina.
          Resumidamente Marianne Severo vai até Niwa a procura de Thomas, que seria o antigo gerente. Ela anda pelo local encontrando muitos quadros, e desenhos, referenciais a uma bailarina chamada Viviane. E eventualmente encontra muitas manifestações sobrenaturais incluindo um espírito peculiar. A medida que ela caminha pelo Niwa vai passando por impressões que narram que algo terrível aconteceu com uma garotinha chamada Liliane. A compreensão do quadro é perfeitamente retratada com Marianne sentada em uma cadeira de rodas ante a uma árvore demoníaca e melódica chamada ''Richard'', seguindo por um projetado desdobramento de cenas que contam uma história. Cita o crime de Richard, e revela que Thomas é o pai de Liliane e o pai de Marianne. Ela levanta da cadeira de rodas lembrando desse passado e retomando a história.
          Pelo terreno do hotel ela segue entre impressões até finalmente encontrar o espírito de Henry, um soldado soviético. Henry surge na história cobrando Thomas por feitos acontecidos na guerra. E esse soldado soviético aparece na história de Niwa tentando matar Thomas e suas filhas, sendo a segunda tragédia da história. Embora tenha falhado e morrido, Henry incendiou a casa da família o que gerou inúmeros efeitos sequenciais. E o espírito de Henry nessa cena faz referências a uma terceira tragédia responsável pelo final de Niwa Workes Resort. Após esse confronto, ela segue pelos arredores do hotel passando pelas ruínas da casa, até finalmente encontrar uma casa subterrânea onde é surpreendida. Surge, a projeção espiritual, do espírito de Thomas, em sua pessoal consciência. Trata-se de uma, assombrada e complexa, difícil história que ela reconta. Por fim ela descobre que Liliane está viva e vai ao seu encontro seguindo ao final da incrível obra de videogame.

Ciro in a ghost episode

          In his early twenties, Ciro lived experiences that made up a deep baggage. Imagine that there is a system of challenges structured in phases in life, where the measure of your achievements places you on a scale of graduation of internal consciousness, and the more you reach these consciential levels, an incredible potential is externalized from the solid recognition of the matrix. existential, to the profile of a strong and skillful subject in the face of reality. Being human is like being a mineral stone, destined to be refined until it becomes a jewelery emerald. It is not possible to escape it and live in another world of fluctuation and ease. Although going through phases is difficult and not pleasant, Ciro Korangar tells about a difficult phase in life:

          - I lived a normal life like everyone else, the problem is that the background of my story would not remain imperceptible, it expressed itself and needed to be deciphered. I will recapitulate that the stories in the books are not usually told in perfect linearity, perhaps the steinheggers of the trees that make up the tale are not noticed, perhaps the description about the density of the characters' planes is discarded for now. Telling the depth of this story will require boarding a car from time set 5 years ago, and taking a trip to the past:
Going back in time...

                     I'm grieving the last person I have left, my mother battled cancer for two years and passed away. For the first few days I couldn't speak or see, I remained in a state of silence for weeks until habits slowly resumed. The silence in this house is very intense, the environment has the same air of endless concentration, and I often lose track of time and many days go by about the books. The routine is persistent and normal, coming from years of reading, I spend about 10 hours reading and when it's late at night, I get up from my chair and go for a walk. I go to the fire escapes and sit on the steps as I let my mind drift and say whatever it wants to say.
          One more night I sat still on the steps of that staircase with nothing but a dim emergency light. That's when something out of the darkness spoke clear words. I looked for the origin of the voice and didn't find it, I focused on a dark corner and noticed the shape of a person, although it was invisible it was a perceptible being. The figure had no material solidity, it was misty in the half-light, a kind of shadowy hologram. It was possible to feel that he was there, feel the shape, feel that he was emitting some consciousness, still possessing the slight density of a Ghost! I spoke directly to the shadow to see if he would respond. Then I ran my hand over the entity's area and the impression was that that being had already passed through there, bringing the idea that there was a time difference between us. Then I realized that the moment he spoke was not the moment I heard, the moment he passed was not the moment I noticed. He was not being discovered, the truth was that the manifestation of this being was intentional. When he spoke, at times, he didn't seem trustworthy and his intentions took a leap into the perverse character. I decided to ignore him and leave the matter in oblivion, I went home and turned on the TV, sat on the couch, watched the JG newspaper and went to sleep.

           Another day I follow the same routine until nightfall. Around 22:00 I go to the stairs, sit on the steps and let the ideas that overflow.
          - Are you going there tomorrow? - Something from the shadows unquestionably manifests. A whole and intelligent sentence, yet conscious about personal affairs. At the corner of the stairs, the leap of a figure that had passed by was visible. I stayed there until then I hear a sound from the ceiling - a chair scraping across a room. - But on the roof of the staircase of a building, there are stairs, there is no such room. Uh, so I started to question if we were from the same world. Was this entity kidding me? How could I know his reach level being invisible and belonging to a different time than mine. I assumed that the stairs could be a place that is a point of relationship between my material level, and that of this entity, I thought it was a spiritual space.

          Helpless at that moment, I returned home at a pace of 9 meters/sec! I rethought everything that happened watching the minutes of a clock tick. I quickly recapped a few factors: can you remember the Ghost Busters? There's the movie and the television show, where the Ghostbusters go to haunted locations. It is a real profession and the teams go to the places very well prepared with equipment, they use electromagnetic meters to verify if there are electrical oscillations in the space where there is a demonstration. They also take an audio amplifier where they capture the ambient sound and when they replay they increase the volume in the headphones, often managing to capture speeches that were imperceptible. They use video cameras and cameras in order to record any ghostly encounters. In addition, the teams have Walkie-Talkies, thermometers, and various equipment. Their job is to locate the entity, understand the reason for the demonstrations, and finally get the place to stop being haunted. These hunts are real and endure with thousands of encounters ranging from ghost animals to ghostly Orbs that consciously wander through haunted locations.
          
One of the most emblematic cases was that of the Brown Lady, which would be the spirit of Dorothy Walpole who remained living in the Raynham family home located in England. After an 18th century couple's conflict, the husband locked his wife in one of Raynham's rooms, where she died of smallpox. Later, around 1936, two magazine photographers went to the mansion to prepare a real estate article. When they entered the reception, they saw on the stairs the figure of a woman materializing and descending the steps. When one of them quickly prepared the camera and took the famous photo of the Lady in Brown:



          Joshua P. Warrer in his book How to Hunt for Ghosts cites the Brown Lady of Raynham among other cases of documented photographic records. The theme can be contested and the word ''Ghost'' can be misunderstood. There are other works that studied the subject, even if within the limits of their time. Works are linked that are respected by the beginning of the study and that are despised by the immateriality of scientific evidence. It is also considered that studies begin superficially, as was Chemistry for Lavoisier. Although personal experience is the most intense test for anyone. I will share a personal experience and then properly classify the word Phantom.
          I was between chores around the house, and in the planned kitchen there is a shelf with three heights, where on the second floor there was a liter of Qboa, bleach. And when I walk into the kitchen that pint of Qboa hurls itself in front of my chest, not like the simple drop of an object, but as if someone had thrown the Qboa by hand in a remarkable kinetic affront. For the Personal view, the message was very clear at that moment, so I took the agenda and related what happened describing it even if it seemed unreal.

          In Joshua's book there is a classification of ghosts that avoids confusion between the accounts. Therefore, Focus! This is how hauntings are evaluated on a case-by-case basis:

Impressions

          ''Entities are usually some sort of vestige of a living creature. But what about when there are ghosts of inanimate objects? A classic example is the Flying Dutchman, an ominous ghost ship. For nearly two centuries he has brought disgrace to those who see him.
          According to legend, the cruel captain of the ship was a rigid and fearless man. As he and his crew sailed the fantastic vessel down the Cape of Good Hope, below the southern tip of Africa, a dark and terrifying storm arose. The frightened crew begged the captain to sail to a safe harbor. He, totally drunk, raged. Then he cackled in a demonic way as he shouted to God, ``You have no power to sink my ship!`` It is not surprising that the vessel sank.
          To this day, the Flying Dutchman is seen navigating the restless waters. As the storm intensifies, he emerges, as from a mist, and then floats across the dark sea a spectral luminescence glowing all around him. Afterwards, the ship disappears in an imprecise distance. It is believed that anyone who observes this vision should dock immediately.
          This boat is obviously what might be considered a thing without conscience. In fact, as far as we are concerned, he never had consciousness or life to begin with. You can see how such an apparition conflicts with our ideas about entities. [b]It is true that all objects, even ships, have a body of electromagnetic energy.[/b] But if we are talking about nothing more than an "energy ship" that can float around in the just like a physical ship, why does it float away or go ashore? Why is he always seen in the same general area under the same general conditions, sailing in the same general way?
          Sometimes ghosts don't seem conscious. They completely ignore the onlookers, and always look and act the same way almost like a recording played over again. In practice, the phenomenon is not very different from a large-scale short film. They lack the sense of spontaneity and interaction found in an entity.
          For example, if a cruel murder takes place in the bedroom of a house, for years witnesses can see the specific murder re-enacted in bed. Each incident will be identical, and the killer and victim will not behave as if they are being watched. It is as if the event generated an impression in the environment that was somehow registered.
          I've been to several places haunted by Indian spirits. I myself heard the low beats of the drum moving through the night. In fact, my team was even able to record this phenomenon. For countless years, like drumbeats resounded in the hills and valleys. Now, is their spiritual rhythm literally imprinted on the area? On some occasions - on some occasions - he again?
          When it appears that a significant or persistent event has been imprinted on the environment, this is quite appropriately called an Impression. Since this phenomenon is also referred to as a 'place memory haunt' ' or 'residual haunting of the place''. Incidentally, some parapsychologists just use the term haunting or haunted to describe the phenomenon. You may notice that in this book the words "haunted" or "haunting" are used in their most general sense, applied to both psychic impressions and the activity of conscious entities. To us, a haunted place is a place where ghost activity of any kind persists for more than a year.
          Impressions are almost always seen, and sometimes heard. In rare cases, an impression can also be felt. This is equivalent to saying that if you see an impression of a vehicle speeding towards you, it will normally pass you by. On the other hand, there's a chance he won't get through to you. In some cases, an impression is more than just an auditory and visual experience. In this case, you could get hurt. A real physical presence can be reproduced when the print is set in motion. While it is convenient to think of a print as a naturally recorded short film, you must remember that such film is capable of capturing some or all aspects of a realistic, integral, three-dimensional experience. However, they only play for a few seconds, up to a minute, and are only seen when some unknown conditions are met. Even the ''birthday prints'' seen at a certain time each year are not always reliable. Some observers see them and some do not. These recorded acts can be reproduced only when certain environmental factors are present. They can therefore be influenced by the presence of electrostatic ions, the earth's magnetic changes, weather patterns, or any number of currently unknown variables. This means that virtually anyone can observe them if the conditions are met. On the other hand, the ability to observe psychic impressions may instead reside in the eye of the beholder. If this information is retained in a form that only a few people can see or feel, an observer who unconsciously has this ability might be surprised to observe an incident that others do not or cannot see.
          But why would an event imprint itself on the environment? It is like? Albert Einstein once said: ''The distinction between past, present and future is only an illusion, however persistent.''

Distortions

          ''Many traditional ghost investigators only study entities and impressions, which are the basis of 90% of haunted locations. However, we will now delve into the extremes of paranormal research. Let's start with the most complex of them all.
          If a location is haunted by an entity, certain identifying marks are displayed. The activity will be spontaneous, erratic and interactive. If it is an impression, it will be unconscious, predictable, and will not pay attention to its surroundings. Sometimes you can find a place with both. But what about when you find a place that includes other things besides these two types of activities?
          My team and I investigated a property where a staggering number of paranormal occurrences had been reported. There were conscious entities that physically bound the owners of the house, leaving clear cuts and bruises. Parts of the house and the property's vehicles burst into flames without explanation. Visitors often fell ill or suffered from surprise attacks of pain and sickness. A barrage of prints pulsed through the grounds, and the owners captured thousands of anomalous images on video or photos. There was even one occasion when someone in the house turned to find themselves facing what felt like another dimension: a horrible, surreal place with swirling clouds and disturbing activity. Then she disappeared. Small objects, such as cutlery and pens, were transported to other locations. Generally speaking, any type of ghostly manifestation was possible, sometimes occurring through extreme and negative synchronicities.
          So far, the activity we've been addressing is primarily caused by extraordinary events that could have affected any location. However, sometimes it seems that the location itself has something to do with the ghostly activity. The earth is not a perfect sphere. In fact, it has a pear-like shape. Because of this, it vibrates on its orbit path. Basically, it is far from a perfectly balanced body in space. The earth's magnetic field corresponds to the physical shape of the planet. The field, like her, is not balanced. It seems logical that some places on the planet are subject to unusual geomagnetic activity, more or less than the rest of the earth. This doesn't even take into account the magnetic fields caused by physical stress on fault lines. Different parts of the surface are also affected in a unique way based on their position in relation to the sun. This casts massive blasts of radiation onto the earth, and some places are more or less affected by it as well.
          There are places on earth where the laws of physics seem to be distorted, and reality sometimes behaves in unfamiliar ways, creating spooky effects. This type of location is what we call distortion. They are rare, but when one is found, it usually becomes popular very quickly. People are excited at the idea of going to a place where almost anything can happen. One of the most popular distortions is the Bermuda Triangle.
          Thinking about the Bermuda Triangle often conjures up images of ships sinking and planes crashing. Indeed, since 1900, more than a thousand people have disappeared over the waters between Bermuda, Florida and Puerto Rico. Even more convincing than the number of disappearances is the way in which they manifest themselves. For example, consider the five navy planes that disappeared at the same time on December 5, 1945. A distress call was sent by the leader: ``We can't see land... Everything is wrong... Strange. We cannot be sure of our position. We seem to be lost. even the sea does not show itself as it should``. Contact was then lost and a rescue plane was dispatched shortly thereafter. He also promptly disappeared. No trace of the six planes has been found to date.
          Pilots often report interference with instruments in the area, such as compass needles turning. Also, mysterious rays and balls of light are seen flying quickly through certain regions. The first person to record such illuminations was Christopher Columbus in 1492. He wrote about them in his logbook. There is no shortage of ghost tales in the area, including apparitions, impressions and ``time slips``.
          In the 1980s, Rick Stratton - a television crew technician in his 20s - and a friend rented a cabin deep in the New England countryside. The detached house was built by Moravian settlers in the 19th century. He found it good to live there for several weeks and did not experience anything out of the ordinary. One night, he went into the kitchen to get a drink. When he walked through the door, he was immediately taken aback. The kitchen looked completely different. The entire room looked ``old fashioned``. Strangest of all: a man was sitting at the table eating, and a woman was standing in front of the sink. They were dressed in old clothes. The elderly man and woman looked at Rick and their eyes widened in surprise, as if they were seeing a ghost. Rick stared at them for a few seconds, each person speechless. Then they disappeared, and the kitchen returned to normal.
          This kind of experience is not a simple case of an entity. The entire room was different. It is also an impression, as the man and woman were aware of the observer and reacted to his presence. So where does this take us? It's the kind of phenomenon we might call a ``time slip``. [b] It appeared that two moments in time, one in the 19th century and the other in the late 20th century, slipped and combined for a short period.[/b] Such a phenomenon can occur at the site of a distortion. You can see why it is still classified as ghostly - it demonstrates activity that allows us to observe some remnant of the past, or at least think we can.
          The distortions exemplify the most complicated issues facing science today. These are the places where reality is not only affected by an anomaly, but where reality itself behaves in an anomalous way. They can distort all your ideas about how reality works. What is above can become below, and inside can become outside. Time stops, reverses, runs forward, or has no sense of direction. You may hallucinate, or find that your surroundings have changed over an immeasurable period. There can be an unbelievable amount of electromagnetic energy, or surprisingly no energy at all. Basically, distortions are amorphous hot spots of ghostly phenomena and paranormal activity in general.
          It is difficult to define distortions, as the scope of their manifestations can be quite strange and unpredictable. They are a kind of paranormal hodgepodge. For this reason, it is easy for some to look at them with disdain. They are difficult to define. Distortions are not active all the time, and the conditions necessary to trigger their activity are a mystery.
          Distortions are often full of entities - sometimes hundreds or thousands. Perhaps by distorting space/time they are able to create natural portals. These portals are ``doors`` through which an entity may be able to materialize, or gain some sort of physical access, more easily. In general, these entities are also able to generate more force due to the ``thin veil``.
          It's rare to find a strong distortion. However, if you find it, it can provide a lifetime of research material. Holy sites are often believed to be distortions, especially those chosen by the ancient Celts and Egyptians. Some even believe that the pyramids were made to create distortions. The idea is that such structures, by the nature of their design, manipulate energies.
          Whatever the case, our planet is, in many ways, superior to our technology. Capacitors (devices for storing, reinforcing, and manipulating electrical charges) weren't ``invented`` until 1745, when German scientist Ewald Georg von Kleist developed the first Leyden jar. However, for billions of years, the earth has been a natural capacitor. The floor is one electrode, the upper atmosphere another, and the space between them an insulator. Life on Earth was powered by solar energy long before Einstein explained the photoelectric effect. Over and over again we find ourselves imitating nature, but patting ourselves on the back as if the concept originated with humans. On the other hand, there are still a lot of incredible phenomena produced by nature which man has never learned to duplicate for practical purposes.
          You may have read about black holes. These are areas of mass so dense that even light cannot escape. For years, black holes were considered figments of the imagination. Now, scientists have confirmed that they do exist. The famous theoretical physicist Stephen Hawking. This is an energy emanation that can indicate the presence of a black hole. It is based on the idea that some particles can escape a black hole - those thrown back into space as the black hole slowly dissolves over time. Inside a black hole is a point called the ``singularity``. It is the point at which the laws of science fail and cannot be applied.
          Is it possible that sometimes some kind of limited singularity-like phenomenon can exist in some places on earth? Typically, ghost activity deals with an aspect of the past that still plays a paranormal role in the future. A distortion is a place that can essentially blur the distinctions of past, present and future. When you find one of hers, be prepared for anything.

Distortions are:
1. Areas where conventional laws of physics can fail.
2. Places where linear time does not always apply.
3. Places infested with entities, imprints and a host of other paranormal activities.
4. Unpredictable areas that can distort perceptions beyond the understanding of logic.''

Herald
          Space and time are related in the way that a space step has a calculable temporal meaning, so space is time. According to Einstein's Theory of Relativity, matter curves space-time. In that sense, when a planet is forming, the space around it curves, and these space arcs shape the matter into a ball, forming a planet. The space gasp gives circular motions to the sphere that is the planet, making this space habitat have its own cyclical time.
          The Herald is the ghost that in his plane steps on reality and also transits through time, wandering between the past and the future without temporal restrictions.
          The truth is that a very large number of works report distant futures, a feat that is very similar to the Herald's potential. What is visible in Don Quixote by Miguel de Cervantes, with quotes from what the video game will be, between the 16th and 17th centuries. There are other works very close to the figure of the video game, such as the work of Joachim Patinir in the 16th century, the stroke of the Crossing the River Styx painting is very close to game design.

Poltergeist
          In short, they are spirits that manifest themselves with some materiality. The reports are of chairs that move, and light contacts with the real world.

          Ciro Korangar conceives that the fact that he had a connection with the entity was not a good omen. Come on, this communication intermediated different spaces. In other words, how does the human mind respond to a sound wave over space from something immaterial? Would an object in this sense be possible? A tennis box or a soccer ball? See that it's even less scary than a horror show, after all, on the stairs there was a harmless living being. The question revolves around the fact that he can conceive of this plan, what does that make him? Eventually Ciro read the religious books and read the scientific books, and went through lessons that showed him phase by phase that it was something, at first, difficult for the mind to palpate, and virtually, also normal:

          - I went back to those stairs at the end of the night, spent time reflecting, and the individual manifestations of the entity that passed through there were initially very light. But with the habit and the passage of time he started to talk more, which didn't turn into a communication, he used to self-say things disconnected from the reality of my space-time, tended to be very intense offenses and often without foot. nor head. Hearing his insulting subjects skipping over other people meant being poisoned by the ear and having my reflective time hampered by too many interruptions. I soon realized that the entity's clear intentions were perverse and therefore should be ignored. What took at least a few months in which I got sick due to the attention given to the entity, phases are not exactly how we would like them to be, and if the entity must be ignored, on the other hand, reaching this conclusion took some time to experience. There is a painting by Agnolo from the 16th century, Venus and Cupid, which expresses the time:





          I decided to ignore this entity completely, not hearing a word. I can say that I continued the same normal routine, taking a skateboard ride on the public rink, sinking into books, and living the blessing that is to live.
          
I always play video games, I usually follow the games that are coming out, and zero the favorites many times. I recently found a game coming from Bloober Team, a Polish developer, and quickly discovered that all the works were excellent. The last game especially captivated me a lot, and that's why it's among my favorites. The work is called Medium and has a very complicated story that can be summarized as follows:



          Marianne Severo grew up in a house that is the second floor of a funeral home, the property belonged to her adoptive father Jack. A man with a respectful background of books, she is notable for the rooms in the house that are filled with shelves, including cluttered books, most notably the only interaction book, 1984 George Orwell, which she describes as interesting. Jack lovingly raised his daughter from her teenage years until he passed away. And the story begins with her taking responsibility for the wake, as she walks through the old house commenting on what it's like growing up on top of a funeral home, which helped her understand her powers.
          She goes to the funeral home and fixes her father's body, and when she says goodbye, the environment manifests, the lights start flashing, and she walks through the funeral home until she enters the office which is all messed up, and there is Jack. He is stuck in his worries about work and looks for a notebook. A moment when she recognized her spiritual state and, touched by the encounter, gives him one last hug. She asks Jack to let go of that world and says goodbye to his father.
          She later gets a call from a guy named Thomas who, claiming to know her and making impossible claims, asks her to go to an abandoned hotel. Niwa Works Resort, the place is known for an urban legend ''The massacre of Niwa'' where, illogically, a riot took place in a general madness, resulting in a slaughter.
          Briefly, Marianne Severo goes to Niwa looking for Thomas, who would be the former manager. She walks around the place finding many paintings, and drawings, referring to a dancer named Viviane. And she eventually encounters many supernatural manifestations including a peculiar spirit. As she walks through Niwa she goes through impressions that narrate that something terrible has happened to a little girl named Liliane. The understanding of the picture is perfectly portrayed with Marianne seated in a wheelchair before a demonic and melodic tree called ''Richard'', followed by a projected unfolding of scenes that tell a story. He cites Richard's crime, and reveals that Thomas is Liliane's father and Marianne's father. She gets up from her wheelchair, remembering this past and resuming history.
          
Through the hotel grounds, she goes between impressions until she finally finds the spirit of Henry, a Soviet soldier. Henry appears in the story charging Thomas for deeds that happened in the war. And this Soviet soldier appears in the story of Niwa trying to kill Thomas and his daughters, being the second tragedy in the story. Though he failed and died, Henry set the family home on fire which had numerous after effects. And Henry's spirit in this scene makes references to a third tragedy responsible for the end of Niwa Works Resort. After this confrontation, she makes her way around the hotel, passing through the ruins of the house, until finally finding an underground house where she is surprised. The spiritual projection of Thomas' spirit arises into his personal consciousness. It is a haunting and complex, difficult story that she retells. Finally, she discovers that Liliane is alive and goes to meet her following the end of the incredible video game work.

Inclusão do Skate nos Jogos Olímpicos - Flávio Ascânio


 


Uma rasteira da sombra

          A cidade das nuvens é uma cidade conhecida pelos ventos. O vento é algo tão notável pela região que os dias que não ventam é que são estranhos, basta você sair ao ar livre e vai sentir o vento passar em forma de ondas que batem e fazem as roupas balançarem. Além do movimento atmosférico a cidade também se destaca pela estrutura, a arquitetura é promissora e expressa um potencial crescimento urbano, uma cidade pequena que tem cara de cidade grande. Sei que as pessoas da região são bem civilizadas e mantém padrões sociais bem equilibrados. Digamos que a ``mão na consciência!`` pontua bem a descrição dos cidadãos dessa incrível localidade.
          O cenário de skate em Nuvens é muito forte e o nível de skate de lá, à vista nacional, é bastante respeitado. Há muitos skatistas e a cidade é muito visitada, assim lá passaram muitos profissionais o que notavelmente influenciou os locais que, com treino ao longo dos anos, a própria normalidade de nível de skate geral ficou mais elevado do que o comum. Entre esses skaters e essa gerações surgiu um menino notável que tinha o nome de Lorenzo. Ele se destacava em especial porque era muito mais esforçado do que o normal. O significado da palavra ''muito'' em relação a esforçado diz respeito a quantidade de energia que o jovem coloca no esporte ser maior que o normal, muito mais energia do que as roupas suportam, destrói o skate regularmente e enfrenta sol e chuva sem medir dificuldades. Em resumo se ele não se segurar por uma lógica mais forte vai de fato não só consumir os objetos e vai se consumir de tanto andar de skate. Taí porque entre os outros quando fala sobre campeonato seria um problema, competir com ele era assistir a volta de uma marretinha pontuando cada obstáculo da pista em uma sessão escrita em primeiro lugar. Lorenzo era clássico nesse sentido e não era pra menos, a rotina de skate começava de baixo do sol ao meio dia e terminava as onze horas da noite. 
          Acordava de manhã e ia pra escola junto a toda uma turma que espera sábado. Voltava pro almoço que era na loja de eletrônicos dos pais, onde trabalhava. A loja é localizada a algumas quadras da pista de skate de Nuvens, então muitas vezes ele dizia à mãe que teria algum compromisso escolar, pegava o skate e saía, ia direto à pista logo depois do almoço. E andava de baixo do sol o dia todo, tanto é que logo ele que descende da Europa estava sempre carbonizado de sol. Lorenzo começou a andar de skate na infância e andou por toda a adolescência, tanto viveu quanto aproveitou o Board. Aos 18 anos não tinha nada além de um patrocínio de loja, algo comum quando o skater é uma vitrine esportiva da região: o que anda mais e se destaca mais acaba por vestir os produtos da loja, e então a própria fama promove a venda de skate. Vamos lá que quando o skater tá andando muito e se destacando muito, ele receber um incentivo permite projetar mais ainda as próprias habilidades, enquanto dá aos incentivadores o prestígio comercial, ao ver o skater você lembra da loja, e assim passa a desejar os shapes legais da April que acabaram de sair, as camisetas da Primitive e os bonés maneiros da Future. Marketing também funciona como exibir estrelas e torna-las acessíveis, a relação funciona como partes de uma mesma engrenagem que precisa de spin.

          No esporte o sonho com o profissionalismo grandioso é algo normal, desde os jogadores de futebol que almejam contratos com times respeitados e salários altos. Profissionais do futebol são exemplos de famosos esportistas que desfrutam de verdadeiras fortunas. E esse sonho existe no atletismo, no vôlei, nas artes marciais, natação, surf, corrida, bike, entre muitos outros esportes, e por sua vez o skate.
          Imagine que irá participar de um campeonato importante da Nike, são 100 skatistas pra 3 lugares, e então rola todo o evento. Nesse dia você acordou e tomou o melhor café da sua vida, o sol parecia brilhar e a luz tocava-o com maciez, você chega no evento e participa do reconhecimento de pista e o dia segue. Perto do final do dia chega o minuto da sua volta e te chamam, e você entra leve em pista e naturalmente as manobras vão saindo e cada manobra voltada parece encaixar na consciência com a certeza do acerto, e a sessão sai perfeita. Assim um dia de sorte soma com um dia importante e te coloca em primeiro lugar. Na hora do pódium o narrador te chama e você sobe no palco como um desconhecido no meio da galera, e ali muita gente importante passa a te conhecer. Então logo em seguida ao pódium um Team Manager da Nike chega em você e pega seu telefone, afim de te colocar de Flow na maior marca de tênis de esporte do mundo. Os anos que seguem vem com muito mais tênis do que você é capaz de gastar e então você se sente vivendo um sonho. Taí a perfeita solução sobre qualquer problema da vida e que é combustível esportivo.
          Esse sonho vira realidade a alguns de verdade, é claro que, em contrapartida milhares e milhares de skatistas saem de coração partido. É importante afinal o sonho é a parte do esporte que faz com que o atleta tente alcançar algo muito distante, dando muito mais energia do que daria em simples.
          É preciso que você sonhe, seja como o ``Horizonte!`` mesmo que este seja apenas uma margem. 

          Quando não foge pra andar de skate, Lorenzo trabalhava de dia na loja dos pais e a noite ia para a faculdade de Gastronomia. Muitas das aulas são na cozinha e o curso ensina as diversas culinárias como Fast Food, Finger Food, Slow Food, Japan Food, Italian Food, bem como, Confeitaria com doces e salgados, Padaria e massas no geral. Além das abundantes aulas práticas o curso tem também aulas teóricas que ensinam administração gastronômica, o que seria um modelo da administração de empresas convencional, focada na indústria de alimentos. É preciso entender em primeiro lugar que o setor de alimentos representa um suculento filé financeiro dentro de um ensanduichado PIB total de R$922,6 bilhões (2020. Abia). O estudo administrativo com foco gastronômico explora algo inevitável e talvez alguém diga que essa especificidade não trata o quadro geral e isso é jogar baixo, embora a administração exija prestígio e tenha, portanto o seu jeito de andar. O estudo começa com a empresa física possuindo formalidade em estoque, compras, finanças, vendas e empregabilidade com toda minuciosidade documental admnistrativa. Onde é preciso entender que a cada setor cabe seu modelo de funcionamento e sobretudo lógicas próprias e fundamentais.
          Há nas cozinhas totais e específicas, estudos sobre equipamentos da gastronomia como os fornos, ultra congeladores, amassadeira, cilindro, chapa, moedor de carne, processador de alimentos, seladora a vácuo, instrumentos, talheres e tamanhos, pratos e materiais, copos e formatos, bebidas e ocasiões, etc.  
          Foi uma época tranquila em que cumpria os afazeres, assistia às aulas, fumava um cigarro, estagiava no restaurante, tinha já o próprio carro e andava de skate nas horas vagas. 

          O protagonista da história estava fumando cigarro em uma época que era socialmente mais aceito. Uma carteira de cigarro da Philip Morris custava 4,50R$ e não parecia exorbitante. Voltando mais no tempo temos que os primeiros povos já bolavam tabaco e digamos que o cigarro sempre existiu. No século XX era aceito de modo que abrir uma carteira de cigarro e fumar em avião não era proibido. Então as pessoas fumavam dentro de salas de cinema, em elevadores, em restaurantes e até em hospitais.
          Se por um lado não haviam alertas e desestímulos como a consciência de efeitos adoecedores, por outro lado, a influência e o estímulo ao consumo era muito eficaz: As corridas de fórmula 1 eram patrocinadas pela Philip Morris e a Ferrari era vermelha e possuía o marketing da Marlboro. E essa influência comercial faz com que você veja um cara descer de uma Ferrari da Marlboro e subir no pódium como o campeão. Ver alguém que tem o que se almeja acender um cigarro é algo muito influente. Perceba que as empresas de cigarro eram comercialmente geniais no Marketing. Este ainda é o modelo que se faz comerciais hoje e não existe ideia melhor. A marca proprietária da Marlboro está entre as 100 empresa mais valiosas do mundo. 
          Tanto a permissividade comum quanto a influência comercial eram alavancas que impulsionavam as pessoas a fumar. Sabe-se hoje que é um produto que vicia e causa doenças. Houve, portanto políticas que fixaram leis sobre todos os produtos fumígenos, regras em que os fatores dificultavam demais encontrar o clima e o local apropriado, o que colocava os fumantes ortodoxos impedidos de manter a rotina. Logo todos os comerciais foram proibidos, ficou proibido fumar em lugares fechados, e a compra pode ser feita com a caixinha contendo advertência: este produto causa câncer.
          
O encarecimento do produto fora em virtude de uma política de tributação elevada sobre o cigarro, sustentada pela lógica de que toda a arrecadação de impostos sobre a compra seria revertida em saúde afim de compensar o mal causado pelo fumo. Note que comprar e encontrar lugar entre outros fatores dificultaram o consumo, medidas que estão na década que relaciona a passagem do século XX ao século XXI.




          Tudo ia superficialmente bem, estava tudo certo no trabalho, a faculdade que cursava era entre circunstâncias bastante tranquila, a vida amorosa também estava em paz. Sobre o skate ele vivia uma época onde a experiência é muito presente e uma sessão de skate é intensamente fluída. Quando se está começando a andar de skate todas as sessões pedem que se aprenda algo. Já quando se está há alguns anos sobre o Board a sessão permite que você se divirta bastante dando voltas e voltas com manobras que tem na base. A lembrança que se tem é de que ele ia à pista só pra voar. Passar a funbox de Nollie e dar Back Board descendo o corrimão.
          Embora tudo aquilo parecesse realmente sem graça. Então ele, em um simbólico e decisivo momento, abriu a caixa de cigarros, acendeu um e se colocou a refletir que, sobre toda a graça que há na vida ele se via desprovido dos valores comuns e que o que tinha valor de verdade seria outra coisa que ele precisava encontrar. As pessoas almejam objetos que não dizem nada, então carro A tem mais moral do que carro B e eventualmente sua vida vai melhorar se tiver o carro D, enquanto ele pensava ''eu posso ir de skate'', parece que tem coisa errada com esses valores. As pessoas almejam roupas elegantes em restaurantes de alta classe, ''e o que importa? Se eu sou suficientemente feliz com X Burguer e os amigos''. A vida vai exigir que você siga os trajetos que todos seguiram até agora, bem como, um trabalho que exija camiseta social e uma casa afim de intermediar seu tempo com as obrigações, ''Se obrigações são opções, eu posso escolher algo que me faça mais feliz do que esse fim de carreira''. Foi então que intimamente se deu conta de que não queria seguir o caminho social que lhe era imposto, e que se ele em si, estava seguindo esse caminho sem se dar conta então precisava sair, abandonar cada uma das obrigações subjetivas da vida: largar o trabalho, largar a namorada, largar os estudos, largar o quarto da família. Pensava que ''Ir ante a estrada da vida, onde há coisas muito mais valiosas do que ouro.’’ Para ele a vida poderia oferecer o que não tem como encontrar por aqui. Assim ele planejou uma viagem, e essa ida não teria uma volta. 
          Ele seguiria em uma jornada sem final a procura de ''Plenitude!'' De valor muito mais importante do que ouro.






          É compreensível que tais ideias passem na cabeça de um jovem. Deve ser terrível os seus pensamentos não lhe permitirem o materialismo. Sobre esses valores que você deseja procurar, onde exatamente eles estão? Quanto exatamente eles valem? Podemos estar falando de valores simples demais como apreciar o por do sol com prazer. Ou podemos falar de valores mais profundos: um livro é uma obra onde toda a informação nele contida exige muito esforço cerebral, nesse sentido quanto mais se lê mais o cérebro trabalha e assim esse exercício deixa a eletricidade do cérebro fluindo tão bem que a inteligência do humano se mostra com muito potencial. O ilustre pensamento da imagem Cartesiana apresenta um dualismo existencial onde o corpo seria a parte material e a mente a parte imaterial. Portanto espiritual e os valores como a inteligência, o conhecimento, o amor, não são compostos atômicos e não são encontrados como os objetos, porque notas e ouro são materiais e quando você os repudiar vai procurar algo que possui valor espiritual e não vai encontrar. Estará na busca pelo que não vai poder ver, não vai poder tocar, não vai poder alcançar aquilo e vai se colocar em uma procura eterna.
          A informação é profunda, e preciso que você entenda que alcançar esse fundo exige muito esforço da mente. Sem duvidar da sua capacidade de compreensão lá vai:
          
Ao olhar para um quadro de Leonardo da Vinci as informações e as energias que o quadro contém exigem que se observe por algum tempo.



Leonardo da Vinci pintou este tema para Luís XII entre 1506 e 1513. Salvator Mundi segurando Globus Cruciger, que seria o salvador Jesus Cristo segurando o globo que representa o mundo. Essa obra desapareceu por algum tempo, embora Marquês Ganay tenha afirmado em 1911 que estava com a original. 

          Preciso que você entenda que se em um quadro está pintado com tinta uma xícara de café fumegante e ao observar a figura a sua mente sente o gosto do café, o artista conseguiu portanto colocar na pintura uma energia. Sobre essa imaterialidade dos fótons e a sua capacidade de percepção do plano, compreenda que se uma pintura tiver para sua mente gosto de café então ela tem valor e poder. Logo o alcance desses valores não são como simples objetos e não se encontram palpáveis, assim a condição de insatisfação com o que há ao redor faz sentido, e aquela fagulha no fundo da consciência que sabe que existe algo mais deseja incendiar sem achar conteúdo. Em outras palavras a inteligência seria o que há de mais valioso na esfera terrestre, e pra retratar esse valor entenda a metáfora de que a ''inteligência vale ouro''. No momento que você questionar tudo que está ao seu redor, afinal tudo brilha algum desejo e toda conquista chega na decepção, vai sair em busca de algo mais valioso e a imagem desse tesouro não se solidificará em nada. E por mais que se esforce não dá pra imaginar um tesouro que vá valer mais do que carros e mansões materiais. Fato é que o ouro está dentro dos livros. E sem saber disso você vai consumir a si mesmo procurando-o pelas ruas, sem saber que as pessoas donas das maiores fortunas escondem seu ouro nos livros. Porque pelas ruas você vai procurar materialmente algo que não vai encontrar, vazios diários ao infinito dos seus dias em uma busca sem fim, e eu sei que toda a profundidade especial do fundo do seu coração vai se negar a entrar em um museu.





          Ele conhecia os vendedores de artesanato e foi até a praça espairecer, cumprimentou os artesões e se sentou entre eles, muitos eram da religião Rastafári. Trocando ideias e palavras pediu pra aprender um pouco e assim o ensinaram um pouco das técnicas de trabalho e também sobre a cultura. A diária dos artesões era de práxis até bem simples, trabalhavam de dia e muita das noites realizavam seus sacramentos e ficavam tomando uma cerveja entre amigos. Faziam uso da maconha o que é para a visão Rastafári precedido em Genesis 1:29:''E disse Deus: Eu dou a vocês todas as plantas que nascem na superfície de toda a terra e dão sementes, e todas as árvores frutíferas que dão sementes.'' Antes de partir em viagem Lorenzo participou algumas vezes da rotina daquela turma afim de se desprender de tudo aquilo que for burocrático, afim de encontrar verdadeiros valores, afinal esses valores existem e precisam ser encontrados. 
          Alguns poucos dias mais tarde pegou estrada com seu gol velho, alguns artesanatos pra vender, uma carteira de Marlboro, uma mochila de roupas, uma garrafa de água de 1,5l, dois pares de tênis, skate, dinheiro e celular rumo ao horizonte sem definição de fim. (O filme Cheech & Chong é o retrato perfeito dessa jornada sem pé e nem cabeça que é tão chamativa em virtude da onda dos prazeres que as fumaças causam, a aleatoriedade dos eventos e o desprendimento dos padrões comuns.) Saindo da cidade das Nuvens conseguiu rodar pelo Brasil parando nas capitais, trabalhando nas praças e conhecendo pessoas e lugares, vivendo experiências que para ele valiam mais do que qualquer outra rotina. Trabalhava de dia, fumava cigarro nas horas vagas, manteve o contato com a família por telefone. Também manteve o skate, embora um rolê agora fosse de pouquíssimo esforço e por cerca de 1h, eventualmente a graça do skate estava desaparecendo, dar um aéreo e um passo não causavam nenhum fervor interno e afinal de contas os novos amigos que encontrava nas jornadas valiam muito do seu tempo.




          Vamos lá que para a vida real a palavra ''custo'' significa: todo dinheiro que tem que ser gasto. A partir do salário mínimo de 1200R$, os mais baixos custos existenciais dão aproximadamente 900R$. É compreensível que ao sair do quarto dos pais o seu rendimento do ponto de partida é bastante próximo do custo das suas necessidades, o que não é tão assustador e é natural, você percebe que nesse cálculo sobra um pouco. 
          Se você não pagou ainda pelo próprio papel higiênico pode parecer estranho, fato é que quando você entra nessa condição de auto suficiência a vida possui uma exatidão onde não tem choro nem pra mais e nem pra menos. Então quando você come um pão passa automaticamente pela cabeça ''1,00R$'' o que é perfeitamente normal, essa responsabilidade sempre existiu e perceber depende de quanto você sente do controle capital da própria vida. No salário mínimo você tem o mínimo suficiente pra lidar com esses custos, embora ser empregado signifique ganhar uma pequena porção dos lucros da empresa, o que te permite também observar o funcionamento geral do tabuleiro, e se reconhecer como uma das peças. ''Entender o funcionamento do quadro geral'' taí a lição a ser aprendida, a missão teórica e prática de uma vida humanóide, a questão é: vai ser garçom pra sempre ou vai aprender a montar restaurante? Assim vão nascendo as novas gerações de empresários, e é só isso.
          Fato é que, em meio ao sistema admnistrativo, o cigarro é para o pensamento financeiro contábil um estorvo. É um produto muito caro e demora muito pra atingir o resultado morte. A nicotina acende áreas do cérebro associadas a recompensa, assim torna-se factualmente um vício. Essas condições pedem que se gaste diariamente com algo que te lesa. Logo o cigarro entre as contas representa um problema. Vamos lá que sustentar esse estilo de vida com artesanato é um sacrifício diário muito intenso e eventualmente leva considerável porção do seu tempo e dinheiro. A partir do gol velho com custos muito altos a coisa toda fica insustentável financeiramente. 
          
Agora vamos acrescentar os problemas a partir da troca da marca do cigarro. Cigarro é cancerígeno e mata. Você vai perceber que as pessoas que fumaram a vida toda chegaram a idades entre 60 e 70 anos passaram pelo câncer e morreram. Percebe como fumar a vida toda chega em um final datado pelo cigarro? A verdade é que a medida que a caixinha vai ficando mais cara, as pessoas optam por marcas baratas e de pior qualidade, esses cigarros parecem canudinhos sem graça e as pessoas assim fumam dobrado, o ritmo adoecedor acelera e fumar cigarro vira um problema sem saída. Em metafórico resumo as contas e o cigarro podem ser uma bola de neve.





          Nas suas muitas viagens ele conheceu muitos lugares e conversou com milhares de pessoas. Era acompanhado pelo desejo sedendo por riquezas invisíveis. Não possuía nenhuma intenção de voltar pra casa, e tal qual um gato velho não voltaria, por nada, por nada. Nessa história os anos foram passando e num conceito habitual o que você faz vai lhe moldando, e muitos anos mais tarde ele estava com longos Dreadlocks onde cada uma das tranças simbolizavam uma parte do seu corpo como o coração ou o espírito e ganhou uma tonalidade marcada pelo sol, além de um jeito de agir característico dos ambientes em que costuma habitar.
          Logo ele que andava de skate em um nível muito mais alto do que o comum, e que mesmo que não tocasse as estrelas da fama, poderia aproveitar as ondas de uma vida normal. O significado do skate se perdeu, a medida que os afazeres exigiam dele uma determinação que dificultava a prática esportiva, ele gradualmente diminuía a importância do skate. Afinal para o skate de respeitável nível hábil é exigido uma dedicação de prioridade, o que é humanamente aprovável considerando que o esporte desenvolve a destreza manual, e essa característica dos animais é refinável no humano que diante da vida expressa-se valiosamente desenvolto. Os livros exercitam a mente, a mente controla o corpo em relação com o espaço material, o exercício do corpo é a saúde em si e o trabalho é o sustento social a partir de uma função social em um sistema abençoado.
          Quando o cara deixa de praticar esportes significa que ele deixou de fazer a manutenção da própria saúde, o que é se colocar a fim de enferrujar. - E se para Lorenzo o skate ficou pra trás e o cigarro se manteve como uma prioridade sem saída, então perceba que concepções íntimas são definidoras dos seus próprios seguimentos, e assim ele escolhe conscientemente subtrair o que faz bem e preservar o que causa autodestruição. Ao notar que ele toma decisões erradas, percebo que quanto mais eu vivo mais a vida demonstra que sou um velho que parece que não sabe das coisas. - E o skate foi deixado pra trás por Lorenzo que segue ainda a procura daquilo. Se o vir hoje não vai conseguir ver o brilho do original e nenhum potencial daquele que era.