15 de fev. de 2018

O preço da evolução



Ainda no pensamento de Do It Yourself, conversando com um amigo do Pará que joga junto um Game Online de vez enquando, ele me contou que não havia pista na cidade dele. Não há pista, não há muito mais que 40mil habitantes e quase ninguém anda de skate afinal não há onde andar.

Cheguei a conclusão de que realmente não dá pra evoluir muito quando tudo que você tem é apenas a rua, o asfalto. As guias dos meio fio não delizam, e você pode dar voltas na cidade inteira, não é barcelona, os picos são um ou outro e geralmente acompanhados de problemas como chão ruim ou segurança fã de cassetete e odiador de prancha sobre rodas.

Contudo, há ainda uma conclusão muito bacana no que diz respeito a Mini Ramps. As Mini Ramps são uma coisa muito compacta e completa, basicamente você usa ela toda, dispensando o chão e abraçando o impulso da arquitetura aliado a perfeitas cantoneiras.
Quando se tem uma mini ramp, de uma trick pra outra leva-se poucos segundos e as quedas não doem nada, portanto, aprender é muito rápida e a evolução mais ainda.

Entretanto montar uma mini ramp não é tão fácil, isto é, começa pelo alto custo em madeira, fazendo um cálculo em que se dispença um gasto de mão de obra. A parte de aprender o designe das curvaturas, os cálculos e os porques e como montar já é um tanto mais simples, você aprende na teoria e depois na prática.
As cantoneiras podem (dependendo da sorte) no ferro velho custar quase nada e as ferramentas dão pra conseguir com os amigos e os conhecidos, dispensando-se assim compra-las também, certo? Dispensando-se assim qualquer gasto maior do que madeira, parafuso, prego e cantoneira.
Precisa-se do espaço pra mini ramp a onde o tempo não corroa a mesma e que permita que você ande, quero dizer, não dá pra montar uma mini ramp em um lugar que tem o espaço mas não aceita barulho.

Não é algo que se faça rápido, nem mesmo com o bolso vazio, também não é fácil do ponto de vista de deixa-la ideal, correta, onde o resultado seja igual o planejamento no papel, entretanto se você tem uma mini ramp pra andar, você tem a onde andar todo dia.
As vezes tudo que te distancia de saber um blunt flip out é ter uma mini ramp pra praticar, certo? Tudo que compõe ter uma mini ramp vai além do que suas mãos são capazes de conseguir, certo? Mas, saiba que se tiver uma mini ramp, evoluir no que diz respeito a ter ter tricks e tentativas no intervalo de dois segundos faria de você um A`s do flow em stals de borda, um A`s nas tricks de aéreos baixos de quarter, um maldito A`s na familiaridade com transições.

6 de jan. de 2018

A vela na arquibancada



A cerca de 10 anos atrás na pista pública aqui da cidade havia apenas dois caixotes, um de dez centímetros de altura e outro de um metro, ou seja, um bem alto e um que básicamente só servia de manual, não pra grinds muito menos slides...
Entretanto, ainda há uma arquibancada de granilite tão bem feita que devia custar aí um percentual gordo do total preço da pista gasto pela prefeitura. Esta foi devidamente encerada na vela devido a altura perfeita do primeiro degrau de quarenta centímetros, uma borda sem entrada ou saída, isto é, havia vela no pedaço do meio da arquibancada, portanto, dar out era possível só no ollie.

Com o tempo esse pedaço da arquibancada a princípio de borda quadrada fora arredondando, talvez aí de maneira que os slides em especial fossem arrancados pelo deslize arredondado e os grinds em borda arredonda se assemelharem a um corrimão em uma borda que nessa era de concreto granite.
Poucos se aventuraram a passar vela no resto daquela arquibancada de quatro degraus e talvez aí vinte metros de cumprimento. Alguns por vezes encararam a borda crua com vela rescente fora do ponto de conforto, como o lendário Radar primeiro e talvez até o momento único skater a se profissionalizar no skateboard partindo dessa cidade. Ele voltou algumas vezes tricks na borda do segundo degrau do canto over the gran quenia, e no pedaço final do primeiro degrau na saída por cima de um pico de grama.
Alguns outros passaram vela em pontos do segundo degrau dando tricks como na praça da sé, em cima de um degrau pra outro degrau, em alguns dias de empolgação ou o desafio momentaneamente focado.

A verdade é que o tempo venceu a falta de tentativas e o tempo passou, a borda se manteve arredondada e sem vela, o resto da arquibancada não foi encerado ou desbravado e depois de muito tempo eu e os amadores Felipe Sor e Diego Gigante fizemos um caixote de concreto, lembro até hoje dos blocos de concretos caríssimos de dois reais cada, as estacas de ferro, cimento e uma caríssima cantoneira de oitenta pila!
O caixonte não ficou muito bom, ficou talvez aí curto e nem muito fixo no solo, talvez nem mesmo linear, mas tá lá até hoje.
É possível que a existência desse caixote tenha sido apoio no desencorajar da mulecada a encarar uma arquibancada sólida, isto é, apenas passar vela e andar, e passar vela novamente e andar, assim a vela iria ficar marcada e o resto do primeiro degrau da arquibancada seria hoje um obstáculo a mais, uma forma de experiência a mais (pesada em outs), e seria uma evidente concordância entre todos os que a usarem no manter em vela e marcas de truck, quero dizer, pra fazer um obstáculo não custam muitas pessoas, pra manter um obstáculo custa um devido apoio de mais gente e pra evoluir é preciso ter uma visão de avanço no skateboard que sobressaía ao deleite, contudo, um pensamento de do it yourself coletivo que na maioria das vezes não custa em dinheiro muito mais que dois refrigerantes, seja em massa plástica, vela ou tinta.

Andar de skate é sempre bom, evolução melhor ainda, portanto, visão de progresso podem estar certa e simplesmente em mão na massa e colaboração!

4 de nov. de 2017

Skate nada no sangue



Subi no skate com 15 anos, de lá pra cá vão fazer 10 anos, foram praticamente 6 regrados dos 15 aos 21, andando de 4 horas até 10horas diárias. Talvez pudesse ser encaixado entre os esportistas mais fanáticos, sabe? No que diz respeito a prática. Lembro que com 17 anos eu não me dava o direito de voltar pra casa sem voltar 10 backslide talslide, haha, eu levava tipo umas 20tentativas pra acertar um, e lembro que todo dia quando chegava com uma listinha de tricks na mochila eu pensava “hoje eu tenho que acertar um antes de 10 tentativas”. Tempo recompensador, dali seis meses eu lembro de dar bs tail em qualquer borda de qualquer lugar, tanto na escola, como em caixotes extensos de campeonatos diversos, bons tempos.

Uma característica interessante que noto ter até hoje é a pegada explosiva, vamos chamar assim. Algo como dar toda energia que você pode pra uma manobra só, pra um pequeno percurso. Então eu remava forte, eu dava o bs mais alto que o caixote, e sentava o peso no pé esquerdo de costas, porque skate é assim, ficar muito no macio é coisa de emo.

Entre torcer a camisa 5 vezes em um dia a ponto de comprar remédio pra hiperhidrolise ou ficar tão exausto que o momento que você cai no chão o corpo pede pra parar, e dava pra fechar os olhos e dormir, mas só o pensamento de mais uma tentativa te faz de um instante pro outro se ver correndo com o skate na mão pronto pra voltar a “final bang”.

Dentro da vivência no skateboard pude notar diversas coisas que auxiliaram a evolução, como não ter vergonha, aí não há problema em errar ou remar mancando de switch, ou independente da pressa explosiva ou da calma reflexiva, as duas formas custam tempo na evolução, até porque a porra toda passa a não importar num esporte infinito.

Penso que entender o skate como jornada é equivalente a preencher todos os aspectos da vida em seus detalhes dentro do mesmo. Como saber que fazer um tcc pode ser como um hardflip fs bigspin, ou não ter dinheiro no final de semana tem a ver com a diversão ta lá todo dia mesmo, não era álcool a diversão.

O skate dentro de uma cidade plenamente skatável dentro de determinado extensivo prazo desde o começo das remadas até os últimos grinds quando não se tem mais joelho nem idade pra andar de skate, todo o processo significou mais do que as infinitas tricks que se aprendeu e esqueceu, que acertou e que nunca tentou, que desistiu ou que quebrou peça, no fim, o que resta de valor é apenas a experiência. Quero dizer, quantos vôs vão dizer pros netos que voltavam nollie flip crooked nos dias de chuva? Ou explicar a sensação de um aéreo sendo que nem pular de paraquedas ou em uma piscina se iguala a uma rampa e 40cm de 1 segundo no ar?

A resposta está no clássico skate que nada no sangue do skater, não é mesmo? Mesmo enquanto metáfora, que essa invenção de shape sobre todas é parte de mim e extensão do meu corpo, também remete a maneira como eu vou ver o mundo.

É dignamente um problema subir as escadas do muffato sem imaginar um 3flip na mesma, ou descer as escadas da faculdade sem enxergar um nollie crooked, até mesmo passar pedalando por uma calçada de cimento queimado e ter certeza que ali é um pico de manual...

As possibilidades são tão infinitas, que ao se encontrar limites, funcionam como obstáculos reais, isso em cálculos possibilitando voltar ao loop de soma em possibilidades: existem X manobras de solo, adicione um trilho e teremos x manobras de solo + trilho. Adicione as manobras de saída e teremos x + trilho + Y, ou trilho + Y. Isso pra um obstáculo...

A verdade é que mesmo sem poder adjetivar ou definir skate, entender que é todo um caminho sem fim, recompensador, difícil e amaldiçoado dentro da vida de um skater, o tempo já não importou mais, as tricks ou por onde se andou, apenas os valores a vivência em cada momento digno de ter sido bacana ou tenso.

9 de abr. de 2016

O pop e a manobra colada



Os primeiros flips não são altos e os giros não são coladões, o desdobrar é capotado, contudo, o passar do tempo aperfeiçoa o flip faz o skatar mais bonito. Entre subir alto e colar alto, subir alto não assegura colar, enquanto, colar o skate sob as solas não assegura altura.

Na experiência a diferença é visível, aquele que sabe um simples Ollie Flip a mais tempo costuma jogar com mais de uma maneira, voltando-o alto ou voltando-o veloz, voltando-o com a altura do rodopiar ou adequa-lo ao encaixe no obstáculo.

A princípio o Ollie é um salto, pular, e quanto mais alto o salto mais alta a manobra, enquanto a sincronia ritmica (pop + chute-lixa) é sequencialmente fluída. A força da explosão gerada no encolher projeta o skate mais alto, entretanto, a sincronia total deve corresponder a mesma força, quando o deslize sobre a lixa coloca o skate na altura desejada.
(A força ao sair do chão + ritmo chute-lixa)

O esforço é um vetor que aponta para um objetivo, simples tentativas de manobras altas aproximam-o mais e mais do domínio, afinal, o fim de uma trajetória é recompensador.
O esforço nas tentativas de pular mais alto, encolher mais, colar mais é o caminho que o faz conhecer a força, aperfeiçoar o ritmo e ter em mente a habilidade.

7 de abr. de 2016

Uma queda é suficiente



Lembro de quando saiu o vídeo Lakai Fully Flared, saiu nas revistas, os amigos recomendavam nas pistas; decorei as linhas e conseguia falar de memória antes do skater voltar manobra. A primeira parte, Mike Mo, era inspiradora e em determinada parte ele brinca com os trucks soltos, nota-se um skate bem mole. Logo, deixei os trucks moles afim de experimentar as vantagens, conseguia salvar muita manobra; conseguiar arrumar o skate contra o obstáculo em menos tempo; era vantajoso em aspectos.

Uma vez fui filmar um amigo de LongBoard em uma ladeirinha rotineira, com o skate mole e uma câmera na mão, confiante... Só vai! Descemos e no meio da rua os skates atingiam entre 40km/h e 60km/h, o skate desajustou-se com a velocidade e reagiu a força, balançou, balançou, balançou e tomei o maior rola da minha vida. Uns tantos kilometros por hora, pude ver em Slow Motion o desastre, tentei proteger a câmera, rolei, parei em um slide de barriga no asfalto. A marca tenho até hoje.

Não cometer o mesmo erro, aprendi. Trucks moles são para manobras, trucks duros são para ladeiras... Entre muitas outras experiências com erros no skateboard; sempre conferir o chão de entrada e saída de uma escada, tirar toda a sujeira para não acontecer nenhuma travada. Não andar em quenias que mais prometem lesões do que manobras, não pule um gap cujo solo da volta, a onde concentram-se os erros das tentativas, é algo que pode causar machucado.

Os skatistas experientes sabem disso, não cometer erros perigosos, um tombo em más condições já é suficiente para aprender na vida. Errar sem se machucar, por outro lado, não é algo ruim, segurança no manobrar é evoluir o skate de verdade.

Economize riscos e aprenda ao invés de machucar-se.

18 de mar. de 2016

O skate mais caro



Os shapes com camadas de fibra de vidro entre os comprensados de madeira são exemplos ótimos, fazem com que um skate responda a um avanço na tecnologia de montagem e tornam a peça mais cara por essência. Os shapes com essas camadas de fibra de vidro eram um tanto mais caros do que os comuns, entretanto, eram mais resistentes e sobreviviam melhor às manobradas e porradas na prática do skateboard. Eles também era um tanto mais leves e mostravam responder com mais velocidade, quando o estalo da madeira no solo parecia responder de maneira mais imediata para a mesma força. Aliás na época de lançamento, a pintura desses shapes se destacava muito em resposta aos deslizes, uma pintura em tinta que aceitava bem velas e slides.

O shape era mais caro do que os shapes comuns e uma opção àqueles skaters que não encontravam shapes que segurassem o estilo de skate; amadores com manobras arriscadas para os skates com sessão de escadas e corrimãos descida... Entretanto os shapes, nas lojas, eram disponíveis a todos que fossem em busca de peças. Logo, shapes com tecnologia a níveis mais avançados de skate eram vendidos a skatistas mais jovens e com início nas aventuras de skateboard. Confusões na escolha de peças de skate sempre ocorrem, normal, sempre aconteceram e vão continuar a acontecer. Contudo, representavam um gasto excedente ao necessário à prática skateboard iniciante, enquanto as peças possuíam benefícios usados só em práticas mais avançadas, o que apresentava alto preço em virtude de desuso.

O skate não é um esporte convencional, não há instrução ou comuns instrutores; a prática singular simboliza uma individualidade característica, ou seja: o skater anda sozinho; o skater é dinâmico, possui rodas e fica em movimento; o skate ocupa grandes áreas, além de pistas há ruas.
Essa individualidade em um esporte um tanto marginal, torna difícil o comunicação entre skaters em um modo de controle de um único ambiente ou padronização do manobrar e das peças.

Contudo, o esporte é conhecido pelo uso excessivo de peças, o gasto rápido seguido da troca rápida. Os skaters adequam-se com a medida do tempo, encontram as peças que preferem, orientam-se atrás daquelas que oferecem suprir as necessidades que as habilidades exigem.
O número de marcas e peças é enorme, as tecnologias parecem apresentar pequenas grandiosas diferenças que resolvem problemas e melhoram práticas. Logo, feito skater, acompanhe descrições comerciais, avalie se o designe e material oferecido está para sua prática, considere o preço e a qualidade da tecnologia material. Opte por algo lógico como rodas secas ao concreto, outras mais aderentes a madeira e lugares lisos; Maple e fibra de vidro para os gaps e trilhos; rolamentos desmontáveis e que aceitem limpeza; trucks com históricos de durabilidade nas bordas cujos designes geometricos aliados ao material tornam-se mais duráveis...

14 de mar. de 2016

Gravar o processo e deixar correr



A atenção em si durante os treinos é importante de maneira que o torne capaz de explicar as tricks. Endendendo as manobras você assegura a base, tanto para si quanto para dizer ao próximo.

Gravar os movimentos e repeti-los, quando na perfeição, deixar a fluidez do movimento permite que a sequencia seja correta, um depois do outro. Um dominó rítmico permite que a manobra memorizada seja reproduzida. Assim a experiência ganha evoluções de maneira perfeita e tranquila.